Sacerdote sublinha que sinodalidade «não é uma estratégia», mas a forma de ser da Igreja e que este é um caminho irreversível

Guarda, 13 mar 2026 (Ecclesia) – O padre Jorge Castela, coordenador da Comissão Sinodal Diocesana da Guarda, valorizou os esforços do bispo diocesano na implementação de um governo da diocese mais sinodal.
“Sempre que há uma mudança há sempre expectativas e as expectativas, se calhar, até eram altas ou continuam a ser altas. Mas também me parece que D. José tem, pelo menos, encetado esforços para que o governo da Diocese seja mais sinodal, com mais conselhos, com mais gente a intervir”, afirmou o sacerdote.
Em declarações à Agência ECCLESIA e ao Jornal ‘A Guarda’, o padre Jorge Castela explicou que a diocese se encontra a viver um itinerário pastoral para, em espírito sinodal e com o contributo de todos, se refletir sobre as principais necessidades pastorais daquele território.
Depois da fase de auscultação, decorre atualmente a fase de discernimento da qual vão sair dois instrumentos laboris para a realização de duas assembleias temáticas, em abril e maio.
Segue-se depois a primeira edição do ‘ADRO – Assembleia Diocesana “Reunir e Ouvir”, com pessoas fora do âmbito eclesial.
“Depois deste trabalho todo, já no início do próximo ano pastoral, iremos fazer uma assembleia geral de tudo isto”, em setembro, indica o responsável.
O bispo da Guarda refere o resultado das assembleias sinodais e da ADRO vão permitir identificar, eleger e propor as “prioridades” para a diocese.
Sobre a participação de leigos no processo sinodal na diocese, o padre Jorge Castela aponta que existem “aqueles que têm mesmo muita vontade e já estão a fazer esforços” para a sua implementação e outros “que ainda se questionam se vale a pena dar estes passos”.
“Nós vimos de um caminho de Igreja em que, de facto, se precisam dos leigos mas muitas vezes apenas como colaboradores ou como substitutos das necessidades. E neste momento, eu creio que se começa a sentir que não, que têm uma participação ativa e corresponsável”, salienta.
Questionado sobre o envolvimento da diocese nos encontros sinodais promovidos pela Conferência Episcopal Portuguesa, o sacerdote dá conta que a Guarda tem aderido “sempre”.
“Eu acho que a participação da diocese nestes encontros a nível nacional dá-nos a entender que não estamos a trabalhar apenas só na Diocese. Que isto é um trabalho que a Diocese está a fazer, que em Portugal até se nota. Noutros lados do mundo, se calhar, não se nota tanto, mas aqui nota-se”, defendeu.
O padre Jorge Castela olha para a sinodalidade como um caminho que já não volta atrás.
“Alguns teólogos dizem que isto poderá não ser mais do que uma moda como já houve outras modas eclesiais na Igreja. Mas eu estou convencido que pouco a pouco os passos estão a ser dados. O facto de se falar muito numa coisa leva-nos a pensar nela”, referiu.
O responsável manifesta a esperança de que “a Igreja seja cada vez mais corresponsável, mais participativa, mais inclusiva, ou seja, mais sinodal”.
A sinodalidade não é uma estratégia. Às vezes podemos confundir com uma estratégia, uma metodologia, um plano, não é. É a forma de ser da Igreja. É constitutivo. É o que diz o documento final da Assembleia de 2024. E é, de facto, constitutivo da Igreja. Por isso eu acho que é irreversível. A gente dê mais espaço ou não dê, isto é irreversível”, sublinhou.
| O percurso sinodal da Diocese da Guarda é um do temas apresentados no programa ‘70×7’, transmitido este domingo, pelas 7h28, na RTP2, que se centra no primeiro aniversário da ordenação episcopal do bispo diocesano, D. José Pereira. |
LJ/PR
