Guarda: Bispo deseja implementar «fraternidade efetiva entre todos», apostar na «profundidade da vida interior» e na «formação» de ministérios

D. José Pereira indica transformações que gostaria de realizar, no âmbito do primeiro ano na diocese

Foto: Agência ECCLESIA/LFS

Guarda, 13 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo da Diocese da Guarda, D. José Pereira, apontou três mudanças que quer aplicar na diocese, começando pelo desejo de implementar uma “fraternidade real”.

“Que não seja só a afinidade dos que pensam da mesma maneira e que estão na mesma bolha mediática ou no mesmo algoritmo digital em que eu estou. Mas uma fraternidade efetiva entre todos”, sacerdotes, diáconos e povo de Deus, defendeu, em declarações à Agência ECCLESIA e Jornal ‘A Guarda’.

O bispo deu ainda o exemplo das comunidades, irmandades e também no interior das famílias, “quando há tensões”.

“Há aqui caminhos de fraternidade e de reconciliação que são prioritários. […] Mas são transversais e não são só exclusivos da diocese da Guarda ou da Igreja. Nós vemos o nosso mundo como ele está e, portanto, a fraternidade universal é uma dimensão de reconciliação”, realçou.

Como segunda dimensão, D. José Pereira nomeou o desejo de aumentar na diocese a “profundidade da vida interior”.

“A devoção existe, é espontânea e na nossa diocese é desenvolvida. Nós temos um povo devoto, mas como é que a devoção consegue ir à raiz para dar critérios evangélicos na forma de lidar e tomar decisões?”, questionou.

O bispo considera que o evento das ciências sociais e humanas, como a psicologia e a sociologia, foi reduzindo a capacidade de entender o fenómeno da vida interior.

“Tudo foi sendo orientado para explicações psicológicas, dimensão psíquica, ou dimensão sociológica, que têm o seu lugar, mas que não substituem aquilo que é a dimensão profunda, espiritual e teologal”, salientou.

D. José Pereira enfatizou a importância de” perceber que a relação com Deus não é uma ideia projetada na psicologia, não é um sentimento projetado”, mas “uma realidade” onde cada um é imerso.

“Nós vivemos ansiedades, nós vivemos situações de ansiedade, de depressão, de burnout […] E a Igreja não substitui os médicos, os médicos teriam que ir ao lugar. Mas a Igreja, no cultivo da dimensão do sentido, da perenidade, do eterno, da esperança, tem um papel fundamental”, disse.

Por último, o bispo diocesano indicou a dimensão da formação como outra área que gostaria de desenvolver, seja ela catequética, litúrgica, eclesiológica.

“Muitas vezes, no nosso mundo, o outro ou é um aliado, ou é um adversário. É um irmão. É um irmão, mesmo que eu não vá receber benefício nenhum dele”, referiu.

“Também, a formação para os ministérios. Para os ministérios laicais, leitores, acólitos, catequistas, que não é para serem mini padres, mas é para assumirem funções de acompanhamento das comunidades, numa época em que o padre já não pode ir a todo lado”, lembrou.

O primeiro aniversário da ordenação episcopal de D. José Pereira vai estar no centro do programa ‘70×7’, transmitido este domingo, pelas 7h28, na RTP2, que aborda também a realidade do território, em quatro temas: ambiente, juventude, ensino e sinodalidade.

LJ/PR

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