Inspirada no processo sinodal, iniciativa reuniu vários setores, tendo o bispo assinalado desejo de repetir o encontro anualmente, na mesma data

Guarda, 22 abr 2026 (Ecclesia) – A Diocese da Guarda promoveu, esta terça-feira, a 1ª edição da ADRO – Assembleia Diocesana “Reunir e Ouvir”, no Teatro Municipal, reunindo pessoas e instituições da sociedade civil que atuam no território.
Os setores a educação, ação social, segurança, justiça, poder autárquico e saúde, estiveram representados no encontro, onde foram chamados a partilhar leituras, alertas, sugestões e propostas de colaboração quanto ao contributo da diocese para o bem comum.
“Que atenções prioritárias se pedem à Diocese da Guarda na sua presença e ação no nosso território comum?” foi o tema da sessão inaugural, que decorreu no dia em que se assinalava o primeiro ano da morte do Papa Francisco.
A ADRO nasceu sob inspiração do processo sinodal impulsionado pelo pontífice, pretendendo afirmar-se com um espaço anual de escuta, diálogo e participação entre a Igreja Católica e entidades não eclesiais com intervenção relevante na comunidade.
Segundo nota da Diocese da Guarda enviada à Agência ECCLESIA, no final da sessão, o bispo diocesano manifestou a intenção de repetir o encontro anualmente na mesma data, admitindo ainda avaliar, com os participantes, a possibilidade de ajustar o formato e horário.
D. José Pereira destacou a importância de a Igreja continuar a ser vista como um parceiro credível na sociedade, mesmo num tempo em que enfrenta processos de renovação interna, nomeadamente na resposta às situações de abusos e no reforço da cooperação com as áreas da justiça, segurança e intervenção social.

Na ADRO, o bispo salientou também a necessidade de manter a proximidade às populações mais vulneráveis, sobretudo em meio rural, garantindo que qualquer reorganização pastoral não signifique o abandono das aldeias, mas antes uma reconfiguração das formas de presença.
O padre Jorge Castela, coordenador do Secretariado de Coordenação Pastoral, afirmou que a diocese está num “processo de discernimento e escuta”, com o objetivo de “fazer algo de melhor pelas pessoas e pelas comunidades”.
A sessão inaugural incluiu ainda a referência à presença da comunidade da Igreja Ortodoxa Ucraniana, apontada como um sinal da importância do diálogo ecuménico e da colaboração entre confissões religiosas e com todos aqueles que procuram caminhos de espiritualidade.
O bispo da Guarda apontou como ideias chave a fraternidade como resposta a um mundo polarizado, a promoção da paz e da justiça centradas nas necessidades das pessoas, o cuidado da dimensão espiritual na sociedade e o reforço da esperança, particularmente junto dos jovens, num contexto marcado por inseguranças, conflitos e fenómenos como a “ecoansiedade”.
D. José Pereira desafiou ainda a que futuros encontros possam ir além do diagnóstico, permitindo também prestar contas do trabalho desenvolvido em parceria entre a Igreja e as instituições do território.
Em entrevista à Agência ECCLESIA, no primeiro ano de ordenação episcopal, o bispo da Guarda deu conta que o resultado da ADRO vai permitir identificar as prioridades para a diocese.
LJ/OC
