Jovem de 29 anos, viveu um ano em França, respondendo a um chamamento que persistiu no tempo e o levou a amadurecer o seu compromisso de oração

Lisboa, 22 abr 2026 (Ecclesia) – João Pedro Faria, da diocese de Santarém, interrompeu a sua vida profissional como consultor de informação, para durante um ano ser voluntário na Comunidade Ecuménica de Taizé, em França, onde experimentou a “presença real do Deus”.
“A primeira oração em Taizé fez-me sentir que Deus estava ali. Foi um apelo muito forte. Na catequese ouvia falar de Jesus mas ali, via-o e sentia-o. Era mais do que o racional – eu sentia que Deus estava ali”, explica à Agência ECCLESIA.
A primeira viagem à comunidade, em França, onde cerca de 100 irmãos de diferentes nacionalidades e com diversas proveniências cristãs vivem em conjunto, João Pedro faria era um jovem, acompanhado pela sua turma de secundário e do professor de Educação Moral e Religiosa Católica.
“Na igreja da reconciliação, encostei-me a um pilar e fiquei absorto – eram os cânticos, o silêncio, o ambiente. Eu queria que aquele momento durasse para sempre. Eu lembro-me que estava completamente em êxtase, em vidrado no que estava a acontecer, e tive de ser chamado por um colega quando a oração terminou”, recorda.
No final dessa semana, vivida nas férias do Carnaval, depositaram no jovem a certeza de que a semana era curta – “ficava sempre com a sensação de que o meu tempo ali não estava concretizado”.
A ideia de fazer um “ano sabático, um ‘gap year” na sua vida antes de entrar na Universidade não agradou aos pais mas não ficou esquecida – o adiamento do sonho dificultou a inserção de João Pedro Faria nos anos de estudo superior em Lisboa, mas permitiu-lhe contactar com a espiritualidade inaciana que conheceu no Centro Universitário Padre António Vieira – CUPAV, onde fez formação na organização não-governamental para o desenvolvimento, Legos para o Desenvolvimento, tendo, no entanto optado por não partir em missão.
“Fui percebendo que não fazia sentido, naquela altura, partir em missão. Não era o tempo. Sobretudo, não estava preparado para os desafios de uma missão com esse enquadramento. E voltar a Taizé falou mais alto”, conta.
Mas o início da pandemia do Covid-19, que coincidiu com o término dos estudos superiores de João Pedro Faria, fizeram adiar a intenção de rumar a Taizé, acabando por entrar na vida profissional, e regressando a França por mais uma semana.
Em setembro de 2023, o jovem, na altura com 26 anos, respondendo a “um chamamento que persistiu” entra como voluntário, para ali passar, inicialmente três meses, e concretizando depois, o seu projeto que passar um ano em Taizé.
“A vida das orações dava um compasso ao trabalho, mas o trabalho também dava compasso às orações. A vida monástica teve o seu próprio tempo, o seu próprio compasso e o intercalar entre orações e tarefas, onde os pequenos serviços davam sentido a um propósito concreto – o que rezávamos estamos ali mesmo a construir”, recorda.

Durante um ano, a fazer comunidade com pessoas de diferentes geografias do mundo e diversos percursos na fé, vindos de tradições cristãs que João Pedro não vivia, a comunidade ecuménica de Taizé mostrou que “o Deus era o Deus de todos”.
“Conseguíamos estar todos sentados na mesma igreja e rezarmos todos juntos, porque de facto rezamos ao mesmo Deus. Taizé realiza de forma física essa possibilidade”, sublinha.
Do percurso orante que realizou naquele ano, o jovem, hoje com 29 anos, reconhece a perseverança na oração e o compromisso de seguir Jesus em busca “não apenas de momentos de exaltação ou alegria”, mas encontrar na relação com ele o alimento para todos os momentos da sua vida.
O caminho de regresso a Portugal foi feito a pé, percorrendo 2400 quilómetros desde Taizé até Santiago de Compostela, usufruindo do regresso e fazendo a ponte entre “duas casas” que foram suas.
A conversa com João Pedro Faria pode ser acompanhada esta noite no programa ECCLESIA na Antena 1 da RTP, pouco depois da meia-noite, e no podcast «Alarga a tua tenda».
LS
