D. José Pereira recorda tempo em que diocese foi um «alfobre de vocações para o país inteiro»

Guarda, 13 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo da Guarda quer que o Seminário da diocese seja um centro vocacional e criar uma equipa de animação espiritual, lembrando os tempos em que a diocese exportava vocações.
“Precisamos voltar a fazer do seminário um centro pastoral vocacional, não apenas sacerdotal, mas vocacional”, afirmou D. José Pereira, em declarações à Agência ECCLESIA e ao Jornal ‘A Guarda’, a propósito do primeiro ano de ordenação episcopal.
O responsável lembra que criou uma equipa, constituída por um padre, um casal, uma leiga e uma psicóloga, para constituir “propostas vocacionais” para jovens.
“Como também é meu desejo criar uma equipa de animação espiritual da Diocese, que possa percorrer e dar sustento. Como foi um bocadinho o D. João Oliveira de Matos, no seu tempo”, e que deu origem à Liga” dos Servos de Jesus, recordou D. José Pereira.
O bispo quer juntar um sacerdote e alguns leigos para que possam ir percorrendo o território diocesano, em articulação com as paróquias, à medida que estas solicitarem, oferecendo exercícios espirituais e revitalizando o Lausperene, isto é, a exposição continuada do Santíssimo Sacramento à adoração dos fiéis.
Na chegada à diocese, há um ano, D. José Pereira recorda que encontrou “uma certa nostalgia de um tempo” em que a Guarda foi um “alfobre de vocações para o país inteiro”, nomeadamente para Évora, Beja e Lisboa.
“Muitos jovens não cabiam nos nossos seminários e iam encher os seminários dessas dioceses. E vivemos um bocadinho essa nostalgia. Esse mundo já não existe aqui. E não penso que vamos voltar a tê-lo”, realçou.
Questionado sobre o Seminário Interdiocesano, o bispo dá conta que se deparou com uma situação que “não esperava”, acrescentando que, nos encontros de formadores que teve ao longo dos anos, ficou com a sensação de que iam sendo dados passos “em termos de solidificação de uma estrutura formativa”.
“Vinha à espera de encontrar isso. E, de facto, fiquei um bocadinho surpreendido, mas percebo que são situações de circunstância que depois influem na capacidade da estrutura, que é o isolamento, de facto, do seminário, que não vale a pena aqui andar a culpar ninguém. É uma circunstância”, salienta.
O bispo diocesano defende que o “seminário não pode ser uma comunidade que queira fazer tudo”, enfatizando que “hoje a formação dos padres não se faz exclusivamente” no seu interior.
“Os seminaristas já têm hoje um envolvimento externo. Nós precisamos de aprofundar, e precisamos aqui, no nosso caso, também de criar condições para que a relação com a diocese também seja mais profunda, seja da vinda deles à diocese, seja da possibilidade de organizarmos grupos, etc., que vão visitar os sítios onde eles estão”, apontou.
O bispo realça o desejo de dinamizar o Seminário da Guarda, referindo que tudo isto “precisa de alguma atenção”.
“E estamos nesse processo. Já ouvi os conselhos vários da diocese. Estou agora também em conversa com os bispos do Seminário Interdiocesano para tomarmos algumas decisões”, revelou.
| O primeiro aniversário da ordenação episcopal de D. José Pereira vai estar no centro do programa ‘70×7’, transmitido este domingo, pelas 7h28, na RTP2, que aborda também a realidade do território, em quatro temas: ambiente, juventude, ensino e sinodalidade. |
LJ/PR
