«Eu batizei-me hoje. O meu caminho na fé acabou de começar», destacou Inês Rosa, guarda provisória de Olhão

Portalegre, 12 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo das Forças Armadas e Forças de Segurança de Portugal presidiu hoje à celebração de iniciação cristã de 174 militares do 58º curso de Formação de Guardas da Guarda Nacional Republicana (GNR), na Sé de Portalegre.
“Hoje, é sem dúvida um dia de alegria, um dia de grande festa. Esta diocese está a cumprir aquilo que o Senhor Jesus pediu à sua Igreja. Ide e ensinai todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, disse D. Sérgio Dinis, à Agência ECCLESIA, após a Eucaristia.
O bispo do Ordinariado Castrense de Portugal explicou, recordando o Papa Francisco, que esta é uma diocese “de fronteira, de periferia”, e, muitas vezes, chegam jovens a quem “nunca lhes falaram, nunca lhes propuseram, Jesus Cristo”, e há sempre um capelão que os acolhe, “há sempre uma proposta, um desafio, e fazem a sua preparação”.
174 formandos do 58º Curso de Formação de Guardas da GNR receberam os sacramentos de iniciação cristã – 17 batismos e 157 crismas -, esta sexta-feira, 12 de junho, na Sé de Portalegre, – a celebração foi concelebrada pelo bispo diocesano D. Pedro Fernandes -, após a preparação realizada com o capelão, o padre Marcelino Marques.

“Eu batizei-me hoje. O meu caminho na fé acabou de começar. Foi uma proposta que nos foi feita, e eu acho que as coisas acontecem no momento que têm que acontecer, a minha jornada na fé, a minha fé, começo a descobri-la agora”, disse Inês Rosa, guarda provisório, à Agência ECCLESIA.
A jovem militar de 26 anos, natural de Olhão, no Algarve, do que aprendeu na preparação para receber o sacramento do batismo destaca “a tolerância, a necessidade de fazer o bem, o querer o melhor para o outro”, isto é, “só ensinamentos bons” que vai tirar desta experiência e que tenciona manter.
“Dependendo da zona da colocação, é continuar a frequentar, e continuar a seguir os ensinamentos que o nosso padre Marcelino e que a Igreja nos têm ensinado, a todos os que foram crismados e batizados: é a tolerância, é a fé, é o querer ser melhor”, sublinhou.
“A fé traz-nos uma esperança, traz-nos uma tolerância, coisas que, cada vez mais, são necessárias na nossa sociedade, especialmente dentro das funções que nós vamos desempenhar” – Inês Rosa

Martim Tavares também é do Algarve, de Lagos, e “não era uma pessoa particularmente religiosa” quando ingressou nas Forças Armadas, mas ensinaram-lhe uma prece que teve de decorar e ficou-lhe “na cabeça, em momentos difíceis citava a prece, e ficou ali o bichinho”.
“Depois quando ingressei no Curso de Formação de Guardas deram-nos a oportunidade de fazer o Crisma e eu, com esse bichinho e curiosidade, fui frequentar e percebi que é algo que eu me identifico. Estava decidido, e ficou ainda mais quando comecei a pensar o que é que faria um guarda um bom guarda, e percebi que não é só o físico, não é só o académico, mas também o espiritual”, desenvolveu o jovem guarda provisório.
Martim Tavares, de 30 anos de idade, salienta que a sociedade portuguesa “estando baseada em valores cristãos” foi “uma boa opção” ter explorado mais, e, após a Eucaristia, afirmou que “é uma sensação boa, foi uma cerimónia boa de estar, agradável”, destacando ainda o grupo coral constituído por outros camaradas.
Sobre o futuro, e de que forma pretende consolidar este compromisso com a Igreja Católica que assumiu no Sacramento do Crisma, o guarda provisório natural de Lagos, adianta que vai “tentar manter sempre os ensinamentos e tentar sempre ser melhor pessoa, melhor guarda”.-
“É isso que tanto a Guarda Nacional Republicana nos ensina como, neste caso, a Igreja, é sermos melhores pessoas e tentarmos proteger a população da melhor maneira; é tentar ajudar o próximo e tudo o que fizermos seja com a intenção do bem, de fazer melhor e de sermos nós melhores todos os dias”, acrescentou.
O bispo das Forças Armadas e Forças de Segurança de Portugal afirma que a formação espiritual “é extremamente importante” para quem vai dar um passo “para uma nova missão que é para a segurança do país”, e esta formação “é transversal a todas as outras, a académica, a formação física, técnica, etc”.
“A minha experiência como bispo do Ordinariado Castrense diz-me que dentro das nossas Forças de Segurança e das Forças Armadas há gente muito boa, mesmo que não tenha prática dominical, no seu dia-a-dia, são pessoas que orientam as suas vidas por valores não meramente humanistas, mas valores mesmo evangélicos”, realçou D. Sérgio Dinis, observando que, depois, “é uma questão de haver quem lhes fala um pouco de Cristo, do seu Evangelho”.
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