Bispo da Guarda preside à Peregrinação Internacional Aniversária de junho, na Cova da Iria

Fátima, 12 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo da Guarda alertou hoje, no Santuário de Fátima, que a procura do bem comum é incompatível com táticas de intimidação ou estratégias ocultas.
“Também na vida social e geopolítica precisamos de voltar a estas certezas: a força transformadora capaz de mover as vontades na procura do bem comum não é a força das armas, do abuso de poder, das teias secretas de influência, dos ‘chicos-espertos’ que sabem ‘passar a perna’”, disse D. José Miguel Pereira, na homilia da celebração vespertina da peregrinação internacional de junho.
O responsável católico associou-se às prioridades sociais do Papa Leão XIV, exigindo a mitigação das assimetrias através do amparo aos desfavorecidos.
“Precisamos de uma paz desarmada e desarmante, de um diálogo franco e ponderado, de colocar o bem comum e o cuidado do mais frágil e vulnerável no centro dos nossos esforços de desenvolvimento”, defendeu.
À luz da afirmação ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’, o presidente da celebração realçou que se pode meditar “na missão da Virgem Santa Maria, como Mãe e Medianeira da Graça”.
“Sendo a cheia de graça, a Imaculada, a toda santa, plenamente envolvida pelo Espírito Santo, Nossa Senhora permanece uma de nós, completamente humana e não divina. Só Jesus, Deus feito homem, é o mediador da Salvação”, sublinhou.
De igual modo, também “está completamente excluído (repugnaria até)” que se tratasse de uma “intervenção desonesta, de um abuso de posição privilegiada, aquilo a que popularmente se chama “cunha” ou “mexer os cordelinhos”, e menos ainda de uma qualquer forma de corrupção em que a Virgem Maria intercederia em benefício daqueles que lhe pagassem favores, fosse em esmolas, sacrifícios ou orações”, indicou D. José Miguel Pereira.
A Sagrada Escritura, acrescentou, “é clara na indicação” de que “o Senhor se deixa tocar por quem lhe pede com insistência, e contundente na afirmação de que não Se deixa manipular: aceita os gestos de amor e entrega de um coração contrito, humilde e agradecido, como tantas vezes nos apresentamos aqui na casa da Mãe, mas não se deixa comprar por interesses pessoais ou de grupos”.
Na sua homilia, D. José Miguel Pereira alerta que o mundo precisa de “uma paz desarmada e desarmante, de um diálogo franco e ponderado, de colocar o bem comum e o cuidado do maís frágil e vulnerável no centro dos nossos esforços de desenvolvimento”.
José Miguel Pereira desejou que os pedidos “pela atenção preferencial pelos mais frágeis e vulneráveis, pela transformação missionária e sinodal da pastoral da Igreja, e pela nossa conversão a uma fé sobrenatural mais adulta e em Igreja” sejam confiados a Maria.
Esta é a primeira vez que D. José Miguel Pereira assume a presidência de uma grande celebração no santuário mariano, após a sua ordenação episcopal na Sé da Guarda em março de 2025.
A peregrinação de junho evoca a segunda aparição de Nossa Senhora aos videntes Francisco, Jacinta e Lúcia, ocorrida no ano de 1917.
A mensagem associada a este mês destaca a devoção ao Imaculado Coração de Maria, apresentado historicamente como um refúgio e caminho de conversão para a humanidade.
O programa litúrgico prossegue a 13 de junho, com a recitação do Rosário, culminando na Missa, no recinto de oração, e a tradicional Procissão do Adeus.
LFS/OC
