Funchal: Festas do Divino Espírito Santo continuam tradição de «olhar pelos pobres» e levar a «ressurreição à casa das pessoas»

Paróquia da Camacha organiza visitas do Espírito Santo todos os domingos entre a Páscoa e o Pentecostes

Foto: Duarte Gomes/Jornal da Madeira

Funchal, 01 mai 2026 (Ecclesia) – O padre Óscar Andrade, autor de uma tese de investigação sobre a devoção e a festa do Espírito Santo na ilha da Madeira, recorda a tradição vivida na comunidade da Camacha, da qual é pároco.

“O gesto do imperador, responsável pela organização da festa a cada ano, de coroar uma pessoa pobre ecoou no tempo assim como o jantar oferecido aos pobres, que perdura na tradição”, indica o responsável à Agência ECCLESIA.

Há sete anos à frente da comunidade paroquial, o sacerdote, natural da paróquia da Fajã do Penedo, reconhece tratar-se de uma celebração cristã mas também de “família que se reúne à volta da mesa, com alegria”.

Na tarde do Domingo de Páscoa, os grupos saem pela paróquia para fazer a vista do Espírito Santo pelas casas e “anunciar a ressurreição”, visitando toda a freguesia até ao domingo de Pentecostes.

Na segunda-feira após a celebração do Pentecostes, no final da festa, é escolhido o novo imperador – este ano, as festas foram organizadas por uma imperatriz – a quem é entregue a coroa e assume a missão de preparar as Festas do Divino Espírito Santo do ano seguinte e manter um olhar “atento aos mais desfavorecidos” da comunidade.

Na ilha da Madeira a tradição manda também a constituição de grupos de “saloias”, meninas entre os oito e os 15 anos que se juntam para cantar “músicas tradicionais do Divino Espírito Santo”, em alguns locais para acompanhar as visitas a cada domingo.

“É uma riqueza imaterial que nós temos, e que dava outra tese de investigação. É uma tradição de freguesia para freguesia e aqui na Camacha, as meninas cantam para dar alegria, esperança e fazer os mais velhos recordar”, explica.

Foto: Duarte Gomes/Jornal da Madeira

O almoço no domingo de Pentecostes pode juntar “100 ou 200 pessoas”, oferecido pelo imperador.

As visitas, a cada domingo, anunciam a “ressurreição” de casa em casa, e são uma ocasião para “rezar em conjunto, lembrar algum falecido, dar graças por algum nascimento”, explica o padre Óscar, que indica ser também uma ocasião para identificar situações de maior necessidade social.

“É um momento de festa, onde cada casa recebe o grupo da visita mas também os vizinhos. Trata-se de uma festa religiosa mas em vez de estar a acontecer no edifício da igreja ou na paróquia, acontece nas casas particulares”, traduz.

O pároco da Camacha dá conta da envolvência dos jovens nas Festas do Divino Espírito Santo, nos grupos das visitas e na festa que a cada domingo, entre a Páscoa e o Pentecostes, preenchem a comunidade.

“A participação nesses dias é muito grande e eu lembro sempre que é importante não esquecer Deus o resto do ano. Estamos a viver o tempo do Espírito Santo e ele vai transformando o coração – às vezes é a criança, ou o irmão que vai no grupo, cujo testemunho toca no coração daquele que já está há muito tempo afastado da Igreja, de Deus. É importante chamar as pessoas”, explica.

A conversa com o padre Óscar Andrade vai ser emitida no programa ECCLESIA, sábado, pelas 6h, na Antena 1.

LS

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