Dia da Mãe: «Demorei muito tempo para poder tocar nela», recorda Elisa Pereira, sobre internamento da filha que nasceu com malformação

Apoiada pelo Banco do Bebé, pequena Luísa ficou três meses no hospital após o nascimento e com oito meses de vida já passou por duas cirurgias

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Corroios, 01 mai 2026 (Ecclesia) – Elisa Pereira, de 25 anos, e o marido Filipe foram pais de Luísa em agosto de 2025, mas só conseguiram levar a filha para casa ao fim de três meses, devido a uma malformação.

“Não foi uma experiência igual às outras mães. Quando o bebé nasce, já pega no colo, já cuida. Demorei muito tempo para poder tocar nela. Então foi uma dor muito…ver ela cheia daquelas coisas. Não poder pegar no colo, não poder cuidar. Isso foi muito desafiador para nós”, recorda a jovem, em declarações à Agência ECCLESIA.

Nascida em Portugal, Elisa Pereira foi com 11 anos para o Brasil, de onde os pais são naturais, e regressou mais tarde, aos 19 anos.

Há cerca de um ano que tentavam ser pais, quando os dois souberam, numa visita ao país onde moram as famílias, que iriam ter a primeira filha.

“Foi maravilhoso para nós, quando nós descobrimos foi uma felicidade muito grande junto com a família”, expressa Elisa.

A gestação corria bem, quando às 22 semanas de gravidez o casal recebeu a notícia de que a bebé tinha uma malformação.

“É chamada hérnia diafragmática, foi um baque muito grande para nós”, conta Elisa.

“Nós temos uma parede interna que separa os órgãos de baixo com os órgãos de cima. E ela nasceu sem a parte esquerda. Então subiu tudo. O coração dela ficou um pouquinho para o lado. E um dos pulmões dela não tinha se formado”, explica.

Mal Luísa nasceu, foi entubada, porque não conseguia respirar sozinha, e levada para a neonatologia no Hospital Santa Maria, em Lisboa.

“Ela fez a primeira cirurgia com seis dias de vida. E a outra foi recentemente, agora. Foi em fevereiro. Ela teve que repetir a cirurgia”, revela a mãe.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Elisa dá conta que no início “ficou muito receosa” com tudo: “Cada dia era uma tentativa para ver se ela ia suportar alguma coisa. Para conseguir a vida, para estar viva. Então sempre era uma novidade para nós. Mas, graças a Deus, sempre foram coisas boas”.

Para estar perto da filha, a jovem, que vive em Corroios, no Seixal, ficou numa casa de uma amiga que mora em Lisboa, passando depois a ficar numa área do hospital, para as famílias com os filhos em tratamento.

“Foi uma dor muito grande, porque eu queria muito estar perto dela. Era uma explosão de emoções. Ruins, boas, uma confusão. Mas nós conseguimos”, refere.

Já com Luísa em casa, a família conta com a ajuda do Banco do Bebé, na Maternidade Alfredo da Costa, que tem como missão assegurar as condições emocionais e materiais, para que todos os recém-nascidos tenham um início de vida digno, bem como capacitar as figuras parentais para o seu papel de cuidadores.

Desde há cerca de seis meses que a associação acompanha este agregado familiar, no apoio domiciliário, vertente do projeto que se destina a bebés prematuros, recém-nascidos com fatores de risco perinatal (ex.: asfixia, anomalias congénitas graves, doenças do foro genético, neuromusculares e outras) e bebés até aos 3 anos com fatores sociais ou ambientais que suscitem desenvolvimento.

Depois da retirada da sonda nasogástrica, que permitia alimentar Luísa, Rita Calado, técnica do Apoio Domiciliário e Educadora Social do Banco do Bebé, explica que a aposta é na estimulação.

Segundo a responsável, o foco agora é “arranjar estratégias para a mãe” brincar com a filha “e ela desenvolver a parte psicomotora e a parte da alimentação, que é muito difícil,” uma vez que a bebé esteve sempre “habituada à sonda” e já arranjou aquelas métodos “para não comer”.

“Eu tinha uma insegurança muito grande sobre coisas básicas, que nós não aprendemos nos outros lugares”, expressa Elisa, que salienta que Rita, com muito amor e dedicação, tem ajudado muito.

Em Portugal, o Dia da Mãe assinala-se no primeiro domingo de maio, este ano no dia 3.

Para Elisa, desempenhar este papel “é muito mais do que trocar fraldas” e “dar banho”, “é também ser uma cuidadora”.

“Ser mãe não é fácil. Mas, com o tempo, nós vamos nos aperfeiçoando cada vez mais. E vamos entendendo mais sobre a vida, porque a criança, ela faz isso. Ela nos impulsiona a sermos pessoas melhores, a vencermos. Termos mais força para vencer obstáculos”, disse.

Elisa realça ainda que a maternidade é uma “experiência diferente de vida”, em que se entra em contacto com “uma inocência e um amor tão grande”, que muda tudo.

O programa 70×7 do próximo domingo apresenta testemunhos de mães estrangeiras em Portugal e o papel de associações como o Banco do Bebé e o Centro Padre Alves Correia, ficando depois disponível nas redes sociais da Agência ECCLESIA.

LJ/OC

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