D. Armando Domingues identifica «paradigma novo» na encíclica do Papa Francisco

Foto: Cáritas

Porto, 17 out 2020 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização, da Conferência Episcopal Portuguesa, afirmou que “há uma espécie de paradigma novo” na encíclica ‘Fratelli Tutti’ e destacou o convite a “pensar o mundo a partir dos frágeis, das periferias”.

“Veríamos qual era a força do amor, o que é que poderia explodir a partir daí, em que as pessoas se sentissem úteis, válidas, e confirmadas naquilo que são, na sua fé, na sua cultura, nos seus povos, costumes, mas felizes porque se enriquecem com os outros”, referiu D. Armando Domingues, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O responsável católico considera ser necessário perceber o que é o Papa Francisco quer dizer quando escreve que se deve “pensar o mundo a partir dos frágeis, a partir das periferias”.

“Isto muda tudo, o centro da primeira globalização é o lucro, a economia, a prosperidade, não importa se muitos ficam para trás, damos umas esmolas, vamos fazendo uns cursos para os enganar”, acrescentou o bispo auxiliar do Porto.

D. Armando Domingues recorda que no início da pandemia de Covid-19 “todos tinham opiniões” – “o mundo vai mudar, vai ser tudo diferente” -, “uma cultura da esperança que é possível o homem chegar a tempos novos”, mas “a fome já multiplicou no mundo”.

“Se continuamos apenas em macro continuaremos a deixar multidões cada vez mais para trás. Agora com o desempego, as crises na vida das famílias, os conflitos que se estão a gerar, temos necessariamente e rapidamente olhar para caminhos formativos e apoios concretos”, desenvolveu, esperando que os políticos “consigam ter este respiro universal” para salvar-se a “família humana inteira”.

O presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização destacou que o novo documento do Papa “vem no momento certo”, é fruto de “um grande trabalho das mais diversas áreas da vida humana, de todos os países do mundo”, de diálogo ecuménico e inter-religioso.

D. Armando Domingues salientou também que ‘Fratelli Tutti’ consegue “chamar a atenção” de muitas pessoas e salientou que o 5 de outubro em Portugal “ficou marcado por esta encíclica”, com o destaque do primeiro-ministro, António Costa, na rede social Twitter, e o comentário do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no dia anterior pela publicação do novo documento (4 de outubro).

Na entrevista realizada no âmbito do mês ‘Outubro Missionário’, o presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização afirma que “estes tempos são um desafio e em várias dimensões”, e começa por alertar para “os imensos problemas” que já existiam, “nomeadamente no campo da justiça, da assistência, no campo da saúde, da economia”.

“Um desafio que é também um sonho: Nunca se pensou tanto e falou tanto de uma única família humana. É um valor que começa a entrar muito nos sentidos das pessoas. Veio-nos mostrar que a fraternidade é um bem essencial à vida dos homens, sem a fraternidade não vamos ter pessoas igualmente dignas, onde a justiça seja feita, onde os direitos sejam de todos”, desenvolveu.

Outro desafio é para as “próprias comunidades”, porque para “resolver os grandes problemas” têm de “começar por casa” e D. Armando Domingues assinala que “foi muito bonito” as parcerias que se fizeram nos últimos meses – autarquias, saúde, educação, paróquias -, “todos na mesma mesa e era tão bom que não se perdesse”.

Um terceiro “grande desafio” é o ambiente propício para “uma espiritualidade mais encarnada, mais comunitária, e não tanto individualista” e falar num “Deus amor em gesto de amor” onde tantas pessoas mostraram que “vale a pena gastar a vida” e que todos são “chamados nesta única família a construí-la”.

A Igreja Católica celebra o Dia Mundial da Missões 2020 a 18 de outubro e o tema vai estar em destaque nos programas ‘Ecclesia’, às 06h00, na Antena 1 da rádio pública, e no ‘70×7’, às 17h45 na RTP2, neste domingo.

CB/OC

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