Presidente dos IMAG destaca importância do diálogo com outras culturas e tradições

Foto: Agência ECCLESIA/PR

Lisboa, 17 out 2020 (Ecclesia) – O padre Adelino Ascenso, presidente dos Institutos Missionário Ad Gentes (IMAG), disse à Agência ECCLESIA que “a Missão é em qualquer lugar”, desde que os católicos saibam sair do seu conforto ao encontro dos outros.

“Podemos dizer a Missão é em qualquer lugar de modo, que fico no meu país, na minha cultura, onde há tanto contacto com diferentes religiões, com diferentes culturas, não preciso de ir para outro país… Mas isso pode ser a tentação das pantufas: eu fico no meu sofá, continuo na minha casa, continuo no meu ambiente”, referiu o superior-geral da Sociedade Missionária da Boa Nova, numa entrevista por ocasião do Dia Mundial das Missões, que a Igreja Católica celebra este domingo.

O sacerdote destaca que a dimensão internacional da Missão, “o sair para outros países, para outras culturas”, tem a “característica das sandálias” e exige um sair de si “de uma forma bastante mais intensa”.

“A base de tudo isto é termos a coragem e sermos destemidos suficientemente para sairmos de nós próprios”, destacou o superior-geral da Sociedade Missionária da Boa Nova, que viveu 12 anos no Japão.

Para o presidente dos IMAG, “aparentemente”, pode ser “mais difícil” para uma pessoa sair ao encontro de quem está do outro lado da rua “do que sair para o Japão”, porque nas terras longínquas “há também um certo fascínio, essa sede de aventura”.

O entrevistado sustenta que um missionário tem de ser aventureiro “não pela aventura em si, mas não deve deixar-se tolher pelos desafios da aventura”, apresentando a “paixão” como motivação fundamental para ir ao encontro do outro.

Essa paixão naturalmente na nossa fé é alicerçada por Cristo. O Cristo com o qual nos sentimos em sintonia e isso dá-nos o impulso para partir. Se se não formos apaixonados, se não sentirmos essa paixão, então dificilmente uma missão resultará”.

O sacerdote da Sociedade Missionária da Boa Nova explica que para ser missionário a “escuta” tem de ser a “característica principal” e para isso “é preciso estar muito atento” e escutar o outro que é deixar-se “interpelar, mesmo nas próprias convicções, pela diferença do outro”, mas “não é um processo simples”.

“Muitas vezes podemos correr o risco, o grande risco, de subirmos ao pódio e começarmos a falar antes de escutarmos o que o outro tem para dizer. A nossa sofreguidão em transmitir aquilo em que acreditamos, muitas vezes baseado nessa paixão, pode levar-nos a travarmos o movimento do outro em relação a nós. A escuta é o ponto mais importante, depois naturalmente a escuta implica que estejamos abertos ao diferente, abertos ao diálogo”, desenvolveu.

A disponibilidade e a capacidade de acolher o imprevisto da Missão são também características para os missionários, “sempre com a possibilidade de se abrir à surpresa”, para não “travar a ação do Espírito Santo”.

“Corremos o risco de travar a frescura da missão que está também no imprevisto, na surpresa, no pasmo. Os programas têm de ser sempre em função das pessoas”, explica o padre Adelino Ascenso.

Foto: Padre Adelino Ascenso

Para o presidente dos Institutos Missionário Ad Gentes, a motivação dos missionários tem de estar “para lá da estrutura”, para ver a “panorâmica de todo o jardim”, que “é belo pela diversidade das árvores e das flores”.

“O diálogo inter-religioso ou o diálogo entre pessoa de diversas religiões tem um fundamento, que é esse da fraternidade universal, temos de partir para esse diálogo dessa dimensão da fraternidade. Se conseguimos através do nosso encontro entre as pessoas, se criamos o ambiente fraterno, então o diálogo tornar-se-á mais fácil”, desenvolveu, comentando a recente encíclica do Papa, ‘Fratelli Tutti’.

A Igreja Católica celebra o Dia Mundial da Missões 2020 a 18 de outubro; o tema vai estar em destaque nos programas ‘Ecclesia’, às 06h00, na Antena 1 da rádio pública, e no ‘70×7’, às 17h45 na RTP2, este domingo.

PR/CB/OC

O padre Adelino Ascenso viveu 12 anos no Japão e fez duas grandes viagens ao continente asiático e à América do Sul, antes de entrar no seminário.

“Penso que fui encontrando essa dimensão de ser missionário, esse desejo de ser missionário, principalmente nas minhas viagens, nos meus encontros com pessoas diferentes, de diferentes culturas, de diversas línguas, comendo as diversas comidas com essas pessoas, convivendo com elas”, relata.

Neste contexto, foi-se alicerçando no interior do missionário português o “anseio da missão, de ser missionário, não para converter, mas para estar, para acompanhar as pessoas”, para tentar entendê-las e procurar um “caminho juntos”.

“O encontro é fundamental para qualquer trabalho de missão, qualquer trabalho mesmo entrando no diálogo inter-religioso, no diálogo entre as pessoas, o encontro é fundamental e isso fui felizmente experimentando ao longo das minhas viagens, das minhas saídas de mim próprio: Fui-me encontrando com diversas pessoas, com diversas culturas, com diversas formas de ser, de pensar, de agir e de reagir”, desenvolve.

 

 

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