António Costa cita documento de Francisco, publicado este domingo

Foto Arquivo

Lisboa, 05 out 2020 (Ecclesia) – O primeiro-ministro de Portugal apelou à escuta da “nova e inspiradora encíclica Fratelli Tutti” no Dia da Implantação da República.

Ao celebrar a República escutemos a nova e inspiradora  encíclica Fratelli Tutti : ‘sonhemos com uma única humanidade (…) cada qual com a riqueza da sua fé ou das suas convicções, cada qual com a própria voz, mas todos irmãos’, escreveu o primeiro-ministro na rede social Twitter.

O Papa Francisco assinou este sábado, em Assis, a sua terceira encíclica, sobre a fraternidade e a amizade social, divulgada no dia de São Francisco de Assis após a oração mariana do ângelus.

O Papa refere que as preocupações dos responsáveis políticos não devem ser as sondagens, mas “encontrar uma solução eficaz para o fenómeno da exclusão social e económica”.

Só com um olhar cujo horizonte esteja transformado pela caridade, levando-nos a perceber a dignidade do outro, é que os pobres são reconhecidos e apreciados na sua dignidade imensa, respeitados no seu estilo próprio e cultura e, por conseguinte, verdadeiramente integrados na sociedade”.

A encíclica é o grau máximo das cartas que um Papa escreve e a expressão ‘Fratelli Tutti ‘ (todos irmãos) remete para os escritos de São Francisco de Assis, o religioso que inspirou o pontífice argentino na escolha do seu nome.

Francisco destaca que o “desprezo pelos vulneráveis” pode esconder-se em formas populistas que, “demagogicamente, se servem deles para os seus fins”, ou em formas liberais “ao serviço dos interesses económicos dos poderosos”.

O documento convida a distinguir populismo de popular, realçando que “existem líderes populares, capazes de interpretar o sentir dum povo, a sua dinâmica cultural e as grandes tendências duma sociedade”.

O documento apela a uma “globalização dos direitos humanos mais essenciais” e aponta, como exemplos, a necessidade de erradicar a fome ou combater o tráfico de pessoas e “outras formas atuais de escravatura”, que apresenta como “vergonha para a humanidade”.

Falando num mundo sem rumo, o Papa propõe a redescoberta de uma “dimensão universal capaz de ultrapassar todos os preconceitos, todas as barreiras históricas ou culturais, todos os interesses mesquinhos”.

“Se não conseguirmos recuperar a paixão compartilhada por uma comunidade de pertença e solidariedade, à qual saibamos destinar tempo, esforço e bens, desabará ruinosamente a ilusão global que nos engana e deixará muitos à mercê da náusea e do vazio”, alerta.

Francisco alerta para a tenção de “ignorar a existência e os direitos”, defendendo na sua encíclica a “amizade social que não exclui ninguém e a fraternidade aberta a todos”.

OC/PR

Carta Encíclica FRATELLI TUTTI do Papa Francisco sobre a fraternidade e a amizade social

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