Forças Armadas e de Segurança: D. Sérgio Dinis convida peregrinos a descobrir «vocação de ser sentinela» e confirmar que «a paz existe»

66ª Peregrinação Internacional ao Santuário de Lourdes leva 160 portugueses

Foto Ordinariato Castrense

Lisboa, 21 mai 2026 (Ecclesia) – O bispo das Forças Armadas e de Segurança desafiou os 160 militares portugueses, que iniciam uma peregrinação ao santuário de Lourdes, a ser “sentinelas” concretizando a sua “vocação”.

“Quem exerce uma função pode deixá-la ao fim do dia, como quem despe o fardamento. Quem vive uma vocação leva-a consigo para todo o lado: para a mesa de família, para o silêncio da madrugada, para os momentos em que o mundo adormece e alguém precisa de permanecer vigilante. A vocação não é o que fazeis; é aquilo que sois”, afirmou D. Sérgio Dinis, no início da 66.ª Peregrinação Militar Internacional ao Santuário de Lourdes, com o tema «Sentinelas de paz».

O percurso que leva os portugueses a França teve hoje início, na Academia Militar e do Estado Maior da Força Aérea, em Lisboa, e vai juntar mais peregrinos do Regimento de Infantaria N° 19 – Chaves.

“Vós não fostes chamados apenas a exercer uma função, a cumprir horários, a executar ordens durante os anos de serviço. Fostes chamados a ser sentinelas. É uma vocação. É uma forma de ser no mundo, uma maneira de habitar a história, uma disponibilidade que não conhece termo nem admite baixar a guarda”, acrescentou, segundo um comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA.

O responsável lembrava a “homens e mulheres” que servem a “defesa e a segurança de Portugal”, a “ferida que o mundo conhece” que, “nenhum armamento resolve e nenhuma fronteira contém: a ferida da paz ameaçada”.

“A missão mais alta não é apenas defender um território ou salvaguardar uma legalidade, embora tudo isso seja nobre e necessário. A missão mais alta é ser sentinela da Paz: aquele que, colocado num lugar sobranceiro, vê mais longe do que os que habitam no vale, antecipa o que os outros ainda não percebem e anuncia, com a palavra e com a vida, que a reconciliação é possível”, indicou.

D. Sérgio Dinis convidou os peregrinos a “subir à montanha” para “ver mais longe”: “Para além das tensões do quotidiano, do cansaço do serviço, da tentação de reduzir a paz a uma simples ausência de conflito. Peregrinar é subir ao posto da sentinela espiritual. É colocar-se num lugar de onde se vê o que, no vale da rotina, não se consegue vislumbrar: que a paz existe”.

“Que o convívio com os camaradas de outras nações vos recorde que a fraternidade das armas pode ser transfigurada em fraternidade do Espírito. E que o silêncio diante da Gruta vos devolva a certeza de que não estais sozinhos no posto”, convidou.

A peregrinação no Santuário de Lourdes acontece entre os dias 22 e 24 de maio, e a cerimónia de abertura internacional está marcada para a Basílica de São Pio X, na sexta-feira, às 21h00.

“No sábado de manhã, às 8h00, os peregrinos portugueses iniciam um desfile que os conduzirá até à Capela de Santos Cosme e Damião. Após um momento de Reconciliação, vão participar numa missa presidida pelo Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, D. Sérgio Dinis, e concelebrada pelos capelães militares que, juntamente com o prelado, acompanham os lusos nesta peregrinação”, indica o comunicado.

O programa compreende, no sábado, “a tradicional fotografia de grupo, momento que antecede a Via-Sacra”, bem como a Procissão de Velas e a Recitação do Rosário em diversas línguas.

No domingo, a Basílica de São Pio X acolherá os peregrinos de todas as representações numa Cerimónia Internacional, com início às 9h30.

O programa internacional da peregrinação compreende ainda atividades como “salto de paraquedas, festival das Músicas Militares e Procissão, a realizar na Basílica de São Pio X”.

A Peregrinação Internacional de Militares ao Santuário de Lourdes acontece de forma oficial desde 1958, após 11 anos da deslocação do padre francês André Besombes, pároco em Toulouse, que convidou o padre alemão Ludwig Steger, que estivera prisioneiro nas proximidades de Toulouse, a acompanhá-lo até à gruta de Lourdes.

“Os dois sacerdotes tinham sido capelães militares, respetivamente, de França e da Alemanha durante a 2.ª Guerra Mundial”, apresenta o comunicado do Ordinariato Castrense.

A Peregrinação Militar Internacional a Lourdes tornou-se um caminho a um lugar de “paz e de reconciliação entre pátrias e militares”.

LS

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