Leão XIV e bispos moçambicanos querem «saber efetivamente o que se passou» com D. Osório Citora Afonso

Lisboa, 05 ago 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV escreveu ao presidente de Moçambique a pedir informações sobre as investigações ao homicídio do bispo de Quelimane, D. Osório Citora Afonso, que foi assassinado a tiro na residência episcopal a 6 de junho.
“É importante reconhecer que nós também somos interessados, queremos saber efetivamente o que se passou”, disse o arcebispo de Maputo, que informou a imprensa local da carta do Papa enviada a Daniel Chapo, citado pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
Na informação, enviada hoje, dia 5 de agosto, à Agência ECCLESIA, o secretariado português da AIS explica que D. João Carlos Nunes destacou a “preocupação” do Papa pela evolução das investigações sobre a morte do bispo de Quelimane, D. Osório Citora Afonso, que foi assassinado a tiro na residência episcopal, no dia 6 de junho.
Para o arcebispo de Maputo, a carta de Leão XIV ao presidente de Moçambique sublinha a apreensão da Igreja Católica no país lusófono por saberem apenas aquilo “que se comunica a nível da imprensa”, e adiantou que está prevista “uma assembleia extraordinária” da Conferência Episcopal Moçambicana (CEM) para se analisar tudo o que envolve o assassinato do bispo de Quelimane.
D. Osório Citora Afonso, com 54 anos de idade, foi morto a tiro na Casa Episcopal da Diocese de Quelimane, a 6 de junho.
A fundação pontifícia AIS assinala que o Papa acompanha “este caso com muita proximidade”, e recorda que Leão XIV recebeu uma delegação da CEM, em audiência privada, no dia 3 de julho, no Vaticano, constituída por D. Inácio Saure, arcebispo de Nampula e presidente da Conferência Episcopal, D. João Carlos Nunes, vice-presidente da CEM, e D. Claúdio Dalla Zuanna, arcebispo emérito da Beira.
“O que foi dito publicamente é que o bispo foi morto a tiro com uma arma de fogo, não uma pistola qualquer, mas [uma] arma de grande calibre, uma arma de guerra; nós, como Igreja, não temos nenhuma informação oficial”, disse D. Inácio Saure, em conferência de imprensa, na sequência do encontro com Leão XIV.
Após o assassinato do bispo moçambicano, o Papa nomeou como administrador apostólico da Diocese de Quelimane D. Estêvão Fernando, responsável pela Diocese do Alto Molócuè, e D. António Constantino, bispo de Caia, para a administrar a Diocese da Beira, que estava sob a tutela de D. Osório Citora Afonso.

Foto: MIssionários da Consolata
No próprio dia 6 de junho, o Papa expressou profunda dor pelo assassinato do bispo de Quelimane, apelando ao fim dos atos de violência em Moçambique, em nota divulgada pela Santa Sé.
A Conferência Episcopal de Moçambique exigiu uma investigação abrangente ao assassinato do bispo de Quelimane, denunciando a ausência de comunicações oficiais por parte das autoridades policiais competentes, a 9 de julho; um mês antes já tinha exigido a identificação dos autores do homicídio de D. Osório Citora Afonso e alertou para os riscos de inação das autoridades.
Os Missionários da Consolata também exigiram que as circunstâncias do assassinato do bispo, missionário e religioso desta congregação religiosa, fossem esclarecidas totalmente.
A AIS refere que o assassinato de D. Osório também provocou “uma onda de choque” na fundação pontifícia “até pela forma próxima, simples e afetiva” com que o bispo moçambicano se relacionava com todos.
CB/OC
Moçambique: Morreu o bispo da Diocese de Quelimane (atualizada)
