D. José Miguel Pereira presidiu à peregrinação internacional de junho, na Cova da Iria
Fátima, 13 jun 2026 (Ecclesia) – O Bispo da Guarda alertou, hoje, em Fátima, que a “comunicação mediática e digital” potencia “perceções sem adesão à realidade”.
“Nestes tempos em que a comunicação mediática e digital potenciam perceções sem adesão à realidade e acusações sem ter de se confrontar com o rosto e o toque do outro, a Mãe do Céu ensina-nos como ter coração para saber lidar com os acontecimentos e, sobretudo, com os nossos semelhantes”, afirmou, esta manhã, D. José Miguel Pereira na homilia da celebração peregrinação internacional de junho, na Cova da Iria.
Para o Bispo da Guarda, “ter coração” é sinal de humanidade, em primeiro lugar, significa “ter empatia, ser capaz de se colocar no lugar do outro, valorizá-lo na sua unicidade, não reduzi-lo a generalizações, não agir com frieza, distanciamento, calculismo”.
Nas sociedades atuais que tendem “a humanizar não só os animais, especialmente os de estimação com os quais estabelecemos relações de afeto, mas também os dispositivos e as máquinas, a partir da aplicação da Inteligência Artificial à comunicação digital, à biotecnologia e à robótica, podemos esquecer que só nós, seres humanos, temos coração, no sentido usado por Nossa Senhora: esse lugar onde o espírito encontra a luz de sentido dos acontecimentos e da vida”, acrescenta D. José Miguel Pereira.
Quem descuida a vida espiritual “pode deixar endurecer o coração” e quem “perde a sensibilidade do coração, deixa apagar a luz que revela o sentido mais profundo da nossa vida”, sublinhou na sua homilia.
Na celebração, D. José Miguel Pereira recordou que “é preciso lembrar o mundo, desde aqui, da Cova da Iria, que o homem tem coração e precisa de cuidar dele”.
“A pessoa humana não é só conhecimento e tecnologia. Não se encontra nem se realiza apenas com razão e Inteligência Artificial. Precisa de alimentar a sua vida espiritual”, completou.
Esta é a primeira vez que D. José Miguel Pereira assumiu a presidência de uma grande celebração no santuário mariano, após a sua ordenação episcopal na Sé da Guarda em março de 2025.
A peregrinação de junho evoca a segunda aparição de Nossa Senhora aos videntes Francisco, Jacinta e Lúcia, ocorrida no ano de 1917.
A mensagem associada a este mês destaca a devoção ao Imaculado Coração de Maria, apresentado historicamente como um refúgio e caminho de conversão para a humanidade.
LFS
