Organismos apelam a «amplas alianças nacionais e europeias», com agentes políticos, judiciais e policiais, da sociedade e das Igrejas
Lisboa, 25 fev 206 (Ecclesia) – As Comissões Justiça e Paz Europa (Igreja Católica) alertam para o “enorme potencial socialmente destrutivo do crime organizado”, conter e combate-lo “deve ser uma questão política e social transversal”, e apresentam oito medidas “urgentemente necessárias”.
“O enorme potencial socialmente destrutivo do crime organizado torna-se particularmente claro no contexto da doutrina social cristã: a maioria das formas de crime organizado anda de mãos dadas com as mais graves violações dos direitos humanos”, explica a Conferência Europeia das Comissões de Justiça e Paz (Justiça e Paz Europa), na sua Ação Concertada 2026.
A Justiça e Paz Europa exemplificam que o crime organizado viola os direitos humanos no caso de agressões e homicídios que “violam o direito à integridade física ou o direito fundamental à vida, no tráfico de drogas que “viola o direito à saúde”, um direito que é também “imprudentemente posto em risco” nos casos de eliminação ilegal de resíduos tóxicos, “de medicamentos falsificados, de incumprimento deliberado das normas de segurança na indústria da construção, ou nos casos de prostituição forçada de mulheres e homens, ou de abuso comercial de crianças ou adolescentes”.
“O crime organizado é quase sempre dirigido contra o cerne dos direitos humanos, nomeadamente a dignidade humana. No entanto, também viola massivamente os outros princípios fundamentais da doutrina social cristã: os princípios da justiça, da solidariedade, da orientação para o bem comum, da subsidiariedade e da sustentabilidade.”
No documento ‘A Europa e o crime organizado’, as Comissões Justiça e Paz Europa indicam que estas violações devem ser vistas “à luz do magistério da Igreja Católica” – na constituição Gaudium et Spes (Alegria e Esperança) do Concílio Vaticano II e nas encíclicas Centesimus Annus (Papa João Paulo II/1991) e Fratelli tutti, ‘sobre a fraternidade e a amizade social’ (Papa Francisco/2020), e acrescentam que o crime organizado representa “um ataque direto à dignidade da pessoa humana, à integridade da Criação e à vocação das sociedades para servir o bem comum”, e seguindo a encíclica Laudato Si’ (Papa Francisco/2015), lembram “o clamor da terra e o clamor dos pobres”.
Segundo o documento, divulgado pela Comissão Nacional Justiça e Paz da Igreja Católica em Portugal, “conter e combater o crime organizado deve ser uma questão política e social transversal”, uma luta que não deve ficar “apenas a cargo da polícia ou dos tribunais”, porque todas as sociedades afetadas devem “prestar contas honestamente das formas como beneficiam de certas formas de crime organizado, consciente ou inconscientemente”: do trabalho não declarado na construção civil, a compra de cigarros sem selo, do consumo de serviços de prostituição ou o emprego ilegal de empregadas domésticas, até à compra de drogas, também para “melhorar o desempenho desportivo (doping)”, obras de arte furtadas, e a “aceitação social da evasão fiscal”.
“Para a Igreja, essa mudança cultural deve começar com a conversão do coração e da comunidade. As paróquias, dioceses e instituições católicas são chamadas a tornar-se locais de resistência à corrupção, modelos de transparência e escolas de justiça e paz. A oração, a catequese e o testemunho litúrgico devem acompanhar a ação social e política, para que a luta contra o crime organizado esteja firmemente enraizada no Evangelho.”
A assembleia das comissões europeias ‘Justiça e Paz’ apela a “amplas alianças nacionais e europeias” contra o crime organizado por parte de agentes políticos, judiciais e policiais, da sociedade e das Igrejas, e apresenta oito medidas que são “urgentemente necessárias” para que todos combatam “eficazmente o crime organizado na Europa”.
A Ação Concertada 2026 da Justiça e Paz Europa procura combinar a ação social e política “com o testemunho teológico”, fundamentando o seu trabalho comum “na Escritura, na Tradição e na Doutrina Social da Igreja”, e conclui que opor-se ao crime organizado “não é apenas uma necessidade política, mas uma exigência para os seguidores de Jesus Cristo”.
CB/PR
|
