«Isto não terminou», alerta a organização católica

Caracas, 24 jul 2026 (Ecclesia) – A Cáritas da Venezuela publicou hoje o balanço oficial de um mês de operação humanitária após os terramotos de 24 de junho, revelando a distribuição de mais de 18 mil toneladas de bens essenciais à população.
“Cumpre-se um mês e queremos dizê-lo com toda a precisão: isto não terminou”, advertiu a instituição católica perante a urgência de garantir a recuperação habitacional e sanitária do país.
O quarto boletim da campanha detalha a assistência direta a 22 924 famílias através da entrega de “kits” de alimentação e de higiene, alcançando um universo estimado em mais de cem mil pessoas.
A rede solidária já escoou para as comunidades 86% das 21 175 toneladas de donativos recebidos, priorizando o fornecimento vital de 7812 toneladas de água e de 7448 toneladas de alimentos.
A elevada procura de cuidados de saúde motivou o envio de 99 608 unidades de medicamentos e de insumos clínicos para centros de atendimento e hospitais que operam atualmente “sob forte pressão”.
A operação logística apoiou-se na força de trabalho de 7540 voluntários diretos, integrados numa rede de dez mil colaboradores oriundos das várias dioceses e paróquias do país.

O relatório sublinha a presença ativa de bispos, sacerdotes e religiosos na linha da frente, retratando o esforço eclesial como o rosto de “uma Igreja samaritana que não observa a dor de longe, mas que se ajoelha junto a ela”.
A intervenção local conta com a presença e a assessoria técnica de peritos mundiais de organismos congéneres, nomeadamente da Cáritas Espanhola, da Alemanha, de Porto Rico e da ‘Catholic Relief Services’ (EUA).
O cuidado pastoral incidiu também no bem-estar psicológico com a celebração do Dia da Criança, a 19 de julho, assinalado com a entrega de brinquedos na zona devastada de La Guaira graças ao apoio de entidades empresariais.
A Cáritas apelou à manutenção contínua das contribuições pelas vias oficiais, recordando que existem “milhares de famílias em acampamentos transitórios” e outras tantas impossibilitadas de regressar às antigas habitações.
O duplo sismo, considerado o mais mortífero registado na Venezuela no último século, provocou pelo menos 5398 mortos, 16 740 feridos e 17907 desalojados, segundo o último balanço das autoridades locais.
OC
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