Europa: «A palavra ‘vocação’ corre o risco de perder a sua relevância na vida das pessoas», lamentam bispos da CCEE

Bispos e delegados das Conferências Episcopais Europeias reuniram-se para analisar atualidade do documento «Novas Vocações para uma Nova Europa», publicado em 1997

Foto CCEE

Lisboa, 07 out 2026 (Ecclesia) – Os bispos e delegados das Conferências Episcopais Europeias da Secção para as Vocações reuniram-se para “uma reavaliação do documento «Novas Vocações para uma Nova Europa», que assinala 30 anos.

“A crise das vocações está ligada a uma crise cultural mais profunda, na qual a palavra «vocação» corre o risco de perder a sua relevância na vida das pessoas”, afirmou D. Paolo Martinelli, Vigário Apostólico da Arábia do Sul, orador principal no encontro que decorreu online.

O responsável salientou a necessidade de “promover uma cultura vocacional capaz de restabelecer a ligação entre a fé e as questões sobre o sentido da vida, a liberdade e o futuro”, indica um comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA.

O encontro teve como tema «Um Pentecostes Vocacional Renovado» e assinalou os 30 anos do documento «Novas Vocações para uma Nova Europa», que surgiu do Congresso Europeu sobre Vocações de 1997, centrando-se nos “desafios que a pastoral vocacional enfrenta hoje na Europa”.

A dimensão vocacional é algo que “permeia todo o trabalho pastoral e acompanha as pessoas ao longo das suas vidas”, encontrando “expressão em diferentes vocações, incluindo o matrimónio, a vida consagrada e o ministério ordenado”.

O orador sublinhou que “cultivar as vocações é, portanto, responsabilidade de toda a comunidade cristã”.

“D. Paolo Martinelli abordou também os desafios colocados pela cultura digital, pelas sociedades cada vez mais interculturais e por uma cultura do provisório, que dificulta os compromissos para toda a vida. Perante estas mudanças, viver a vida como uma vocação ajuda a conferir-lhe unidade”, indica o comunicado.

O responsável reiterou ainda a “importância de ajudar cada pessoa a reconhecer que é amada e chamada por Deus e a colocar os seus dons ao serviço dos outros”.

Na abertura do encontro, o presidente da CCEE, D. Gintaras Grusas sublinhou que a renovação vocacional requer “comunidades abertas a ouvir a voz do Espírito Santo”.

“A questão vocacional não pode ser reduzida a números ou às necessidades das instituições”, indicou, apontando ainda ao valor da “oração, do silêncio e do acompanhamento, juntamente com o testemunho daqueles que vivem a sua vocação com alegria e fidelidade, para ajudar os jovens a descobrir a vida como um dom e um chamamento”.

O arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, Responsável pela Seção para as Vocações da Comissão para a Juventude do CCEE, revisitou, numa apresentação, o documento propondo uma “oportunidade para refletir sobre a eficácia com que as Igrejas na Europa promovem e acompanham todas as vocações”.

O comunicado dá conta que no decorrer do encontro foi “apresentada uma proposta de trabalho para 2027, em preparação para o trigésimo aniversário do documento” «Novas Vocações para uma Nova Europa».

LS

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