França: Papa rejeita ter violado laicidade ao condenar a eutanásia

Leão XIV abordou riscos da IA e assumiu necessidade de criar «barreiras» éticas

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 28 set 2026 (Ecclesia) – O Papa rejeitou hoje ter violado o princípio da laicidade em França ao criticar a recente legalização da eutanásia, sublinhando que a posição da Igreja Católica é conhecida por todos.

“Quando a Igreja fala da defesa da vida ou de questões de Doutrina Social, não está a fazer política, mas sim a aplicar o Evangelho à vida das pessoas. E essas pessoas podem ser políticos, de esquerda ou de direita, que defendem que a religião deve permanecer confinada à esfera privada”, afirmou Leão XIV durante a conferência de imprensa no voo de regresso a Roma, após quatro dias de visita a Paris, Lourdes e Metz.

“A defesa da vida é um princípio que, como todos sabem, a Igreja ensina e no qual acredita profundamente”, acrescentou, em resposta aos jornalistas.

Leão XIV evocou a sua encíclica ‘Magnifica Humanitas’ para sustentar que, segundo a conceção católica da separação Igreja- Estado, essa “fronteira” foi respeitada.

“Obviamente, estou ciente de que, em França, foi recentemente aprovada uma lei nesta matéria e que também noutros países europeus, bem como no resto do mundo, está em curso um amplo debate sobre as questões ligadas ao fim de vida”, apontou.

O Papa assinalou, em particular, a importância de falar do tema no Santuário de Lourdes, “onde as pessoas procuram algo de muito mais profundo e compreendem que a sua vida, mesmo no meio da doença, da deficiência ou de sofrimentos de vária ordem, tem um sentido”.

“A Igreja, em nome de Jesus, quer estar próxima destas pessoas e reafirmar os valores que a própria vida, a meu ver, encerra para todos nós”, declarou.

Se isso é fazer política, então fi-lo, mas não pretendia, de forma alguma, intrometer-me na política francesa. Queria simplesmente ensinar aquilo em que a Igreja realmente acredita.”

O Papa foi questionado sobre os riscos da inteligência artificial (IA), a que dedicou a sua primeira encíclica, rejeitando a ideia de “pânico”, embora tenha admitido que “as preocupações levantadas por muitos peritos e especialistas em IA devem ser levadas a sério”, defendendo a introdução de “barreiras” éticas.

“Não creio que se trate de fake news (notícias falsas), como disseram alguns, difundidas na tentativa de obter algum tipo de benefício económico ou de outra natureza”, acrescentou.

Leão XIV recordou que o Vaticano organizou a sua própria Comissão sobre a IA e que, desde a publicação da ‘Magnifica Humanitas’, foi “contactado por muitas pessoas”.

“Estamos a tentar promover o diálogo, o estudo e a investigação, para encontrar formas de garantir que a IA não chegue ao ponto de poder destruir a humanidade ou de a excluir do debate. Estou relativamente otimista de que isso seja possível”, realçou.

O Papa falou da sua viagem a França como quatro dias “repletos de muitas bênçãos, quase milagres”.

“Senti-me muito abençoado por ter tido o privilégio de visitar a França, sobretudo para encorajar os jovens que, naturalmente, estão à procura de algo”, afirmou.

OC

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