Papa denuncia indústria armamentista e lamenta crise da habitação em vários países

Cidade do Vaticano, 28 set 2026 (Ecclesia) – O Papa instou hoje os governos de Moscovo e de Kiev a encontrarem soluções pacíficas para travar a guerra na Ucrânia, que se intensificou desde a invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022.
“Não se trata de ser político ou apolítico, mas é necessária uma voz que procure promover os valores da dignidade humana, da importância da vida, da possibilidade de investir mais na saúde e na educação e menos em armamento “, disse Leão XIV aos jornalistas, durante o voo de regresso a Roma, após uma visita de quatro dias à França.
O pontífice assumiu a “responsabilidade” de promover estes valores, “convidando continuamente os líderes, como na Rússia, na Ucrânia e noutros países, a aproximarem-se, a sentarem-se, a dialogarem, a procurarem formas de resolver os problemas sem dar continuidade a estas guerras que deixaram de fazer sentido”.
“É nesta ótica que a Igreja continua a erguer a voz. Não podemos obrigar ninguém; por vezes, pode parecer inútil, mas continuamos a falar, continuamos a convidar, continuamos a anunciar o Evangelho”, precisou.
O Papa manifestou preocupação com as posições de alguns líderes e países que “começam, de novo, a falar de armas nucleares, de guerras que são cada vez mais destrutivas, sobretudo no que diz respeito à vida humana”.
Leão XVI lamentou os investimentos na “terrível indústria militar”, sustentando que com “esses milhares de milhões de dólares, se poderiam resolver problemas como a fome no mundo, a habitação, as situações de desemprego”.
Segundo o pontífice, a corrida armamentista aumenta a tensão global, o que “poderia resultar na eclosão de uma nova guerra, de um novo conflito”.
O Papa apontou ainda a especulação imobiliária global como um reflexo da cultura do descarte, apelando à intervenção conjunta entre o Estado e a sociedade civil para resolver a “causa sistémica” dos despejos de idosos e pessoas vulneráveis.
“Qual é o problema no sistema que permite que uma idosa, além do mais com deficiência, seja expulsa de casa?”, questionou, após ter sido interpelado sobre o caso de uma mulher de 87 anos com deficiência, retirada da casa onde vivia, em Madrid.
Leão XVI assumiu a preocupação da Igreja Católica, convidando todos a “responder com um sentido mais humano, sensível à dor e ao sofrimento dos outros”.
OC
