Especial: Equipas de Jovens de Nossa Senhora celebraram 50 anos de presença em Portugal
2 Junho, 2026 10:45
D. José Tolentino Mendonça presidiu à celebração e foi portador da bênção do Papa para o «caminho futuro» do movimento
Foto: Agência ECCLESIA/LS
Santarém, 02 jun 2026 (Ecclesia) – As Equipas de Jovens de Nossa Senhora (EJNS) em Portugal celebraram 50 anos com um encontro que reuniu várias gerações do movimento, este domingo, dia 31 de maio, em Santarém.
“Ser comprometida em Igreja é o mais importante, hoje! Corremos, os jovens dizem ‘sim’ a tudo e não estão em nada. As equipas pedem-nos ‘sins fiéis’, e ensinam-nos com o sim de Maria. Estamos o tempo inteiro a tentar dar esses ‘sins’”, afirmou a responsável nacional das EJNS 2025-2027 em declarações à Agência ECCLESIA.
Assunção Borba explica que o Movimento das Equipas de Jovens de Nossa Senhora, nascido há 50 anos, “é um movimento de passagem, em que os jovens chegam e crescem”, normalmente entram entre os 15 e os 17 anos, quando são “projetos de pessoa, ainda com vergonha, com uma fé claramente insegura”, e a partir das reuniões mensais, dos temas a refletir e partilhar, da oração, “cada jovem começa a conhecer-se melhor, a encontrar Nossa Senhora e Jesus dentro deles”.
“As Equipas Jovens de Nossa Senhora estão inseridas na Igreja, nós comprometemo-nos, respondemos às nossas dioceses. Depois, a partir das equipas, somos mais ativos nas paróquias. Puxamos pela Igreja, espero eu, e a Igreja puxa por nós. Acho que temos uma relação muito boa e muito presente”, acrescentou a jovem de 24 anos, da Paróquia do Estoril, que faz parte das EJNS desde os 17 anos.
A equipa é o primeiro lugar onde se desenrola a vida do movimento, cada uma é formada por 6 a 12 jovens solteiros (entre os 15 e os 24 anos), um casal assistente, e um conselheiro espiritual, sempre que possível, e cada equipa de jovens forma uma pequena comunidade na qual cada um se compromete a partilhar o seu aprofundamento espiritual.
O cardeal D. José Tolentino Mendonça, antigo padre assistente das EJNS, presidiu à Eucaristia dos 50 anos das Equipas de Jovens de Nossa Senhora, “uma ocasião muito importante”, e foi o portador da mensagem que o Papa Leão XIV enviou ao movimento para “abençoar o caminho também futuro”.
“Eu venho como peregrino ao coração de cada um, aqueles que eu conheci, acompanhei como padre, aqueles que outros acompanham. Vim como peregrino até ao coração de cada um agradecer”, disse o cardeal português, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, à Agência ECCLESIA.
Foto: Agência ECCLESIA/LS
Na Bênção Apostólica, o Papa Leão XIV afirma que as Equipas Jovens de Nossa Senhora, nestes 50 anos, “têm sido uma importante escola de formação do laicado católico, da qual saíram famílias comprometidas com a sua fé, vocações sacerdotais e religiosas”.
“O desejo do Sucessor de Pedro é, pois, que continuem a sê-lo, gerando homens e mulheres apaixonados por Cristo, testemunhas credíveis do Evangelho, empenhados em amar e fazer amar a Igreja, missionário no mundo universitário, no vasto campo do trabalho, na complexa ação cultural e social”, desenvolve.
“Sede, como pede Jesus, “luz do mundo” e “sal da terra”. Sua Santidade Leão XIV transmite aos jovens, casais responsáveis e conselheiros espirituais das Equipas, um vivo encorajamento a prosseguir, cultivando na vida a espiritualidade de Maria, ao conceder-lhes paternalmente a bênção apostólica”, acrescenta no documento assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin.
Para D. José Tolentino Mendonça “é uma gratidão enorme” olharem juntos para o caminho que fizeram e perceber que são “obra uns dos outros”, e que, como diz São Paulo, se animam mutuamente nesse caminho de fé, “de celebração da esperança, de acolhimento da vida com tudo o que tem de enamoramento pela Igreja, de testemunho missionário no mundo”.
Foto: Agência ECCLESIA/LS
“Poder acompanhar a geração dos que têm agora 50 anos, foi um grande privilégio para mim, é um grande privilégio porque continuo muito próximo espiritualmente, e penso que esta geração foi a sementeira de uma transformação que hoje se começa a viver na Igreja Católica. Fala-se de um certo retorno à Igreja Católica, e há uma estação cultural diferente no modo de olhar a fé”, acrescentou o antigo padre assistente das EJNS.
A Eucaristia foi concelebrada por atuais e antigos padres assistentes do movimento, e pelo bispo de Santarém, que destacou a experiência “muito simpática, de melhor êxito” das EJNS na diocese, nos últimos anos.
“As coisas têm corrido bastante bem no sentido do relacionamento, o movimento com a Diocese de Santarém, e tem crescido. O movimento cresceu neste espaço, nas famílias da nossa área geográfica”, realçou D. José Traquina.
As Equipas de Jovens de Nossa Senhora (EJNS) são um movimento de formação espiritual que propõe aos seus membros um caminho de crescimento cristão e humano em comunidade, em equipa.
À semelhança do pequeno grupo de apóstolos que acompanhou Jesus, a equipa é o meio escolhido pelas EJNS para viver em Igreja, com Cristo e ser suas testemunhas.
Para Assunção Borba, celebrar os 50 anos foi “um dia de festa”, por estar com responsáveis nacionais que “sabe que existiram, estão no Excel, a lista toda”, para “festejar tudo” o que criaram e também quem são.
“Estes sete, oito anos que estou nas equipas vou festejar isso, porque me criaram. Hoje, vou festejar a criação de uma geração toda. Estou muito feliz, muito feliz”, concluiu a responsável nacional das EJNS 2025-2027.
Madalena Fontoura, a primeira responsável nacional das EJNS, explica que os tempos iniciais foram “um entusiasmo muito grande de amizade”, e lembrou “pessoas muito marcantes”, como o padre João Seabra e o casal Isabelinha e Pedro Beltrão que “tinham a inteligência e a sabedoria” de os conduzir, deixando-os ser protagonistas, e eram “os primeiros testemunhos de uma amizade com Cristo”.
“Desde a primeira hora, nas equipas, vivia-se uma grande amizade. Uma amizade mesmo gira, divertíamo-nos imenso, estávamos mesmo contentes de estar juntos, apoiávamo-nos imenso uns aos outros”, acrescentou, lembrando as pessoas que se “conheceram nas equipas e casaram, são pais de filhos, e a data de pessoas que foram para padres, para religiosas”,
Ana e Filipe Avillez vão ser o próximo casal nacional que acompanha as EJNS, a partir de setembro, “um desafio facilitado imenso pelo facto de este ser um movimento dos jovens para os jovens”.
“O nosso papel não é o de sermos os coordenadores ou os responsáveis. Nós somos o casal assistente, os jovens fazem o seu trabalho e nós estamos ali para dar conselhos, para dizer, ‘olha, no nosso tempo fazia-se assim e assado’, já cometemos esses erros e, portanto, tenham cuidado; ou dizer, ‘vocês estão no bom caminho, e estamos aqui para ajudar, e temos os contactos’”, explicou Filipe Avillez.
Ana Avillez realçou que abraçaram o “desafio de ser o casal nacional”, por dois anos, porque foi neste movimento que, “como casal, mas também individualmente”, descobriram Jesus.
“Descobrimos Jesus, descobrimos uma relação pessoal com Jesus, um Jesus que tem uma relação individual com cada um de nós, que nos ama em tudo aquilo que nós somos, no bem e no mal, no pecado, e também nos talentos e tudo isso”, salientou a entrevistada.
Filipe Avillez explicou ainda que os casais nas equipas “estão numa fase intermédia” entre a idade dos pais e os jovens, “não são da geração dos pais, nem são pares”, e “estão numa posição para poder dar conselhos ainda de uma maneira que é facilmente aceite”, e eles estão ali para isso, “para dar esses conselhos”, e serem essas pessoas.