Para Rodrigo Moutinho o tema que mais se destacou «foi o racismo» e da «exclusão social», que fez pensar nas pessoas que «são postas de parte»

Covilhã, 20 abr 2026 (Ecclesia) – A Igreja Católica em Portugal, através do Departamento nacional de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), juntou mais de 2500 participantes de 59 agrupamentos no Encontro Nacional do Ensino Secundário (XIV ENES), na Diocese da Guarda.
“Foi a minha primeira experiência num encontro nacional, e achei superimportante, porque são novas experiências que fazemos para a vida: eu fiquei a conhecer novas pessoas, a desenvolver mais temas; foi tudo importante, fizemos atividades, foi tudo incrível”, disse Margarida Nunes, da Escola Felismina Alcântara de Mangualde, à Agência ECCLESIA e ao portal online ‘Educris’.
Já Rodrigo Moutinho, da Escola Secundária de Valpaços, revela que foi o tema deste ENES 2026 que “criou um entusiasmo” em participar, e “conhecer novas pessoas”, porque ‘Onde está o teu irmão?’ “é procurar alguém novo, alguém desconhecido, que pode vir a ser um bom amigo”, alguém que conheceu neste encontro.
“A união que aqui se cria foi bem conseguida, eu penso que o objetivo foi claro e toda a gente ficou feliz com este encontro, e saímos daqui muito contentes, e felizes por poder participar”, acrescentou.
‘Onde está o teu irmão?’ foi o tema do XIV ENES, organizado pelo Departamento de EMRC, do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC) da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé da Igreja Católica em Portugal, nos dias 17 e 18 de abril, na Covilhã e no Fundão, na Diocese da Guarda.
“O tema que mais se destacou para mim foi o racismo. É um dos temas que tem sido muito falado, é muito falado todos os dias, e mesmo na televisão, e que não pode ser esquecido porque ninguém deve ser posto de parte por causa da cor que tem. Por exemplo, a exclusão social foi outro tema que me afetou bastante, e que me fez pensar no tipo de pessoas que por vezes por terem diferentes classes sociais ou por terem dificuldades a nível económico são postas de parte”, desenvolveu Rodrigo Moutinho.
“Eu penso que isso é feio, e o objetivo também destes encontros é menorizar esse tipo de atitudes e desclassificá-las completamente na nossa sociedade e promover uma sociedade equitativa e justa e inclusiva”, acrescentou o estudante da Escola Secundária de Valpaços.
O SNEC informa que o programa do XIV ENES incluiu atividades pedagógicas e lúdicas, como percursos temáticos, painéis de grafitti na Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios – ANIL, “estações do cuidado”, encontros entre escolas, jogos de rua nas cidades anfitriãs e iniciativas de solidariedade com instituições locais, a interpretação ‘um milhão +1’ alertou-os para a realidade das pessoas em situação de sem-abrigo.
“Cada vez mais, infelizmente, vejo esse tipo de pessoas na rua, e acho que comoveu bastante ver aquele teatro. Eu olhava para o lado e havia imensa gente a chorar. Até eu estava a chorar”, acrescentou Margarida Nunes de Mangualde, que tem esta disciplina “sempre incrível e importante”, desde o 5.º ano.
Uma das novidades desta edição 2026 do ENES foi o conceito de ‘escolas irmãs’, que aproximou alunos de diferentes regiões – incentivando dinâmicas de cooperação, resolução de problemas e envolvimento comunitário -, as ‘estações da hospitalidade’, contra a “indiferença”, e a partilha de dons e talentos de professores e alunos
Tomás Constantino, da Escola Secundária Felismina Alcântara – Mangualde, vai levar “felicidades e também saudades” deste encontro nacional, onde completou “todas as estações, com os colegas e também da escola vizinha”, por isso, destaca “a comunidade”, estiveram “todos juntos uns com os outros, e a solidariedade”.
“Este ano aprendi muito”, destaca este estudante do 10º ano que tem EMRC pela “segunda vez”, a primeira foi no 8º ano, mas a “influência” dos “muitos colegas” que frequentam “também importou” para este regresso a “uma disciplina importante”.
Segundo o professor Cristofe Gomes, de Valpaços, este contacto entre alunos “e o encontro com a escola irmã”, que foi com a Escola de Tábua, foi algo que marcou os alunos, já tinham enviado “uma carta, o vídeo” para eles, antes do encontro nacional, e, “conseguiram, como são jovens, encontrar-se uns com os outros”.
De Valpaços, na Diocese de Vila Real, participaram mais de 100 estudantes no 14º Encontro Nacional de Educação Moral e Religiosa Católica, o professor Cristofe Gomes, que tem “quase 500 alunos”, destaca que “já é quase praxe” viajarem “sempre números grandes de alunos”.
“No mundo em que vivemos é difícil encontrarmos ou procurarmos o nosso irmão. É claro que quem é cristão, e os meus alunos são todos cristãos convictos, e que acreditam também na disciplina de EMRC, sabem muito bem que qualquer um que está ao nosso lado, independentemente da condição social, racial, clubística até, são nossos irmãos. O próprio Jesus também nos disse isso, é bem evidente, no Evangelho”, assinalou o docente.
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