Igreja/Ensino: Disciplina de EMRC convidou alunos do secundário e professores à fraternidade e à paz

«É importante ouvir a nova geração, ouvir e inquietá-los», afirmou D. António Augusto Azevedo, presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé

Foto: Educris

Covilhã, 20 abr 2026 (Ecclesia) – O 14.º Encontro Nacional de Alunos de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) do Ensino Secundário (XIV ENES) desafiou estudantes e professores a refletir sobre a fraternidade e a paz, no tema ‘Onde está o teu irmão?’.

“O contexto que vivemos atualmente é de algum conflito, a paz sente-se ameaçada. Temos conflitos em várias partes da nossa bela casa, a nossa terra comum, e pensámos que propor aos alunos e aos professores a temática da fraternidade é percebermos que a paz vai exigir de cada um de nós esta irmandade, percebermos e entendermos como os irmãos uns dos outros”, disse o coordenador da disciplina de EMRC, no Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), em declarações à Agência ECCLESIA e ao portal online ‘Educris’.

O Departamento de EMRC, do SNEC da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé da Igreja Católica em Portugal, juntou mais de 2500 participantes de 59 agrupamentos de escolas de todo o país no XIV ENES, com o tema ‘Onde está o teu irmão?’, nos dias 17 e 18 de abril, na Covilhã e no Fundão, na Diocese da Guarda.

“Queremos educar a diferença e o respeito pela diferença e não sermos indiferentes às grandes questões da sociedade e às grandes problemáticas que podem pôr em causa a fraternidade”, acrescentou o coordenador nacional de disciplina de EMRC, o professor António Cordeiro.

A partir do tema ‘Onde está o teu irmão?’, o presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), destacou que “é importante ouvir a nova geração, ouvir e inquietá-los”, também na “lógica sinodal” da Igreja Católica.

“Esta pergunta, que é uma questão bíblica, abre muito para a formação humana. A formação humana que está no centro, e cristã, da preocupação desta disciplina tem muito a ver com isso, despertá-los para olhar o outro como irmão, é um valor fundamental do cristianismo”, disse D. António Augusto Azevedo, bispo de Vila Real, à Agência ECCLESIA e ao portal online ‘Educris’.

Uma das novidades desta edição 2026 do ENES foi o conceito de ‘escolas irmãs’, que aproximou alunos de diferentes regiões – incentivando dinâmicas de cooperação, resolução de problemas e envolvimento comunitário -, as ‘estações da hospitalidade’, contra a “indiferença”, e a partilha de dons e talentos de professores e alunos.

Como síntese deste 14º ENES, o coordenador nacional de EMRC realçou dois pontos: “o abraço, vários alunos e professores passaram, cumprimentaram-se, abraçaram-se, solicitaram o abraço e receberam muitos abraços”; e a sinfonia, a música, com “muitas e várias melodias” interpretadas por convidados, e por aqueles que quiseram “partilhar esta fraternidade original, que é saber viver com os outros”.

“Temos professores que educam a fraternidade, são criativos nos valores que cimentam, esta fraternidade, e temos alunos que, percebendo este grande valor, o querem partilhar com outras pessoas. Querem ser testemunho de algo que lhes vai na alma, que é o sonho.”

O SNEC informa que o programa do XIV ENES incluiu atividades pedagógicas e lúdicas, como percursos temáticos, painéis de grafitti na Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios – ANIL, “estações do cuidado”, encontros entre escolas, jogos de rua nas cidades anfitriãs e iniciativas de solidariedade com instituições locais, a interpretação ‘um milhão +1’ alertou-os para a realidade das pessoas em situação de sem-abrigo.

O diretor do SNEC, e secretário da comissão episcopal, explicou que este encontro é a resposta e é a “preocupação que a Igreja tem em contribuir para a educação integral” de adolescentes e de jovens, “é o contributo de educar à maneira de Jesus Cristo, nesta perspetiva humanista, de solidariedade, de caridade, que é fazer bem ao outro”.

O professor Fernando Moita afirma que “é a fraternidade que gera e que cria a paz, e salientou que a sala de aula “é uma espécie de laboratório onde se ensaia, onde se preparam, as atitudes da vida”, e a aula de EMRC “é sempre uma possível provocação, no sentido de, és capaz de fazer melhor, de ser melhor”.

Foto: Educris; D. António Augusto Azevedo, em primeiro plano, e D. José Pereira

O bispo da Guarda, D. José Pereira, afirmou que “a fraternidade é um dos tesouros que o Cristianismo” tem a dar às sociedades pós-modernas, na sessão de boas vindas do XIV ENES.

D. António Augusto Azevedo, que foi reconduzido na presidência da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, na 214ª Assembleia Plenária da CEP (13 a 16 de abril, Fátima), destacou que nesta reunião foi sublinhado “o valor desta disciplina” de EMRC, o que significa que “a Igreja em Portugal vai continuar a estar atenta, a valorizar, a formar pessoas, e a renovar tudo o que é necessário para que esta disciplina seja importante”.

CB/OC

EMRC: Pergunta «Onde está o teu irmão?» orientou reflexão dos alunos no Encontro Nacional do Secundário

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