Algarve: Bispo apresentou os santos nas dimensões de companheiros, filiação divina, e caminhantes

D. Vitorino Soares explicou que os santos «permitiram que a luz que é Jesus pudesse tocar as suas vidas»

Foto: Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Faro, 02 nov 2026 (Ecclesia) – O bispo do Algarve convidou os fiéis a reconhecerem nos santos companheiros de caminho, filhos de Deus que se deixaram transformar por Jesus e exemplos que mostram ser possível alcançar a santidade, este domingo, na Solenidade de Todos os Santos.

“Os santos são estes também, que permitiram que a luz que é Jesus pudesse tocar as suas vidas; o santo é aquele vidro onde há uma pintura, mas que vem ao de cima quando a luz passa por ele”, afirmou D. Vitorino Soares, a partir dos santos representados em vitrais, na Eucaristia, que presidiu na Sé, citado pelo jornal ‘Folha do Domingo’.

O bispo do Algarve, que presidiu à Solenidade de Todos os Santos na Sé, em Faro, apresentou três dimensões para ajudar a aprofundar a relação com os santos, como companheiros, filiação divina, e caminhantes.

Na primeira dimensão, D. Vitorino Soares apresentou os santos como “bons companheiros”, “são companheiros que já atingiram um êxito e por isso são companheiros fortes”, sobre a filiação divina, explicou que os santos recordam aos cristãos que são filhos de Deus, e “este Pai também que vai transformando, vai renovando e tornando parecidos com Ele”.

Sobre a dimensão de caminhantes, o bispo do Algarve indicou que os santos sabem para onde se dirigem e têm a santidade como uma meta definida, um caminho percorrido com esperança, ânimo e entusiasmo, e não de forma contrariada ou desorientada.

“Não é utopia, não é ficção, não é uma questão virtual, é uma questão real”, acrescentou, observando que muitos foram pessoas comuns.

A Igreja Católica celebrou a 1 de novembro a solenidade litúrgica de Todos os Santos, feriado nacional em Portugal, na qual lembra conjuntamente “os eleitos que se encontram na glória de Deus”, tenham ou não sido canonizados oficialmente.

O bispo do Algarve explicou que esta solenidade não é uma festa reservada a “eleitos”, “privilegiados” ou a uma “elite”, mas uma celebração “para todos e aberta a todos”

D. Vitorino Soares, no início da celebração na Sé, assinalou também a Semana de Oração pelos Seminários 2026, que começou este domingo, e decorre até 8 de novembro, sob o lema ‘Comunidade que reza, Seminário que floresce’.

O bispo diocesano referiu que têm cinco seminaristas, têm dois no Ano Propedêutico e três no Seminário Maior de Évora, e apelou à oração pelos seminaristas e pelas comunidades formativas.

Foto: Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O jornal ‘Folha do Domingo’, da Diocese do Algarve, informa ainda que a Eucaristia da Solenidade de Todos os Santos ficou marcada pela iniciativa ‘Pão por Deus’, pelos catequizandos da Sé de Faro, que percorreram as casas de famílias que se inscreveram para doar alimentos para pessoas acompanhadas pela Cáritas Paroquial.

Segundo a tradição, em Portugal, no dia de Todos os Santos, as crianças saíam à rua e juntavam-se em pequenos grupos para pedir o ‘Pão por Deus’ de porta em porta: recitavam versos e recebiam como oferenda pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, amêndoas ou castanhas, que colocavam dentro dos seus sacos de pano; nalgumas aldeias chama-se a este dia o ‘Dia dos Bolinhos’.

CB/OC

As Igrejas do Oriente foram as primeiras (século IV) a promover uma celebração conjunta de todos os santos quer no contexto feliz do tempo pascal, quer na semana a seguir.

No Ocidente, foi o Papa Bonifácio IV a introduzir uma celebração semelhante em 13 de maio de 610, quando dedicou à Santíssima Virgem e a todos os mártires o Panteão de Roma, dedicação que passou a ser comemorada todos os anos.

A partir destes antecedentes, as diversas Igrejas começaram a solenizar em datas diferentes celebrações com conteúdo idêntico.

A data de 1 de novembro foi adotada em primeiro lugar na Inglaterra do século VIII acabando por se generalizar progressivamente no império de Carlos Magno, tornando-se obrigatória no reino dos Francos no tempo de Luís, o Pio (835), provavelmente a pedido do Papa Gregório IV (790-844).

 

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