Educação Cristã: D. António Augusto Azevedo afirma que renovação da catequese da infância e adolescência está em «fase decisiva»

Bispo abriu trabalhos do encontro que reuniu, em Fátima, responsáveis dos secretariados diocesanos do setor no encerramento do ano pastoral

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Fátima, 03 jul 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal de Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF), apontou hoje, em Fátima, a renovação da catequese em Portugal e a atenção a desafios trazidos por novas realidades como linhas a seguir no futuro neste organismo.

“Estamos numa fase decisiva de renovação da catequese da infância e da adolescência, o que vai exigir bastante das comunidades, dos catequistas, do clero, dos párocos e também das famílias e no fundo de todos os cristãos”, afirmou D. António Augusto Azevedo, em declarações à Agência ECCLESIA.

O bispo de Vila Real expressa a vontade da CEECDF em envolver todos neste processo de atualização do setor, desejando que seja “muito útil, muito marcante, muito fecundo para a formação cristã das novas gerações”.

Reconduzido como presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, na assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em abril, o bispo marcou presença hoje no encontro de responsáveis dos secretariados diocesanos de catequese, no Centro Catequético de Fátima.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

D. António Augusto Azevedo expressa que o organismo irá continuar a apoiar a implementação do novo ‘Itinerário de Iniciação à Vida Cristã das Crianças e dos Adolescentes com as Famílias’.

“É um processo, digamos assim, que está ainda numa fase inicial, a dar os primeiros passos, de facto com a produção de recursos”, referiu.

O bispo defendeu também a necessidade de responder aos novos desafios pastorais que se colocam às comunidades.

“Estamos num contexto em que começam a surgir nas comunidades das dioceses muitas pessoas que não fizeram a sua iniciação cristã, que pedem o batismo, que pedem os outros sacramentos de iniciação e que precisam de ser acompanhados”, indicou.

A coordenadora do Departamento de Catequese do Secretariado Nacional da Educação Cristã, irmã Arminda Faustino, dá conta que muitos adultos veem os filhos a receberem os sacramentos de iniciação cristã e sentem-se também interpelados a fazê-lo.

Toda a catequese de adultos deve, segundo presidente da CEECDF, merecer “uma atenção maior”, já que tem sido um “parente pobre” da formação no país, salientando ainda o desafio que constitui a chegada de imigrantes.

“O seu acolhimento, a sua intercessão, a sua formação também no âmbito das nossas comunidades é também uma questão que nos deve preocupar e ocupar”, disse.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

O encontro que juntou cerca de 50 responsáveis dos secretariados diocesanos de catequese em Fátima visou assinalar o encerramento do ano pastoral e preparar o próximo.

A irmã Arminda Faustino confessa que 2026 foi desafiante, uma vez que se encontra a decorrer o processo de implementação do novo ‘Itinerário de Iniciação à Vida Cristã das Crianças e dos Adolescentes com as Famílias’.

“Ainda estamos também a terminar os recursos, os materiais catequéticos. Mas, de facto, temos já vários tempos completos”, mencionou.

No balanço do ano, a responsável destacou ainda a realização das Jornadas Nacionais de Catequistas, que descreveu como “um bom momento forte de encontro e de sintonia”.

A iniciativa que reuniu os secretariados diocesanos de catequese ficou também marcada pela conferência “O catequista e a arte de acompanhar, perspetiva de quem recebe e transmite”, apresentada pelo padre Pedro Manuel, da Diocese do Algarve.

“Creio que hoje, como ontem, acompanhar é fazer caminho em conjunto com alguém. E isso faz com que eu seja capaz de olhar para a história do outro, percebê-la como sagrada, perceber também que a história do outro é tão importante quanto a minha e que o outro que está ao meu lado é um dom. Acompanhar é sempre olhar o outro como um dom”, frisou, em declarações à Agência ECCLESIA.

O responsável sublinhou que “todas as todas as realidades têm lugar na catequese”, nomeando situações de sofrimento, de exílio e de quem procura uma vida melhor.

“Todas as controvérsias sociais, políticas, que tantas vezes surgem de uma fragilidade económica que se afirma à nossa volta, também nos trazem rostos e rostos muito concretos”, assinalou.

“Tudo isto”, realçou o padre Pedro Manuel, “está mais ou menos assegurado” no itinerário catequético que tem vindo a ser trabalhado.

“Eu creio que nenhuma realidade, aliás já o Concílio Vaticano II nos falava disso, que faça parte do mundo deve ser estranha à vida da Igreja”, enfatizou.

LJ

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