EUA: Papa recebeu Medalha da Liberdade, na véspera do Dia da Independência

Leão XIV afirmou que «a grandeza moral de uma nação» se manifesta na defesa da «vida de todos», na sessão online onde destacou a liberdade religiosa e a unidade

Cidade do Vaticano, 03 jul 2026 (Ecclesia) – O Papa recebeu hoje a ‘Medalha da Liberdade’ do ‘Centro Nacional da Constituição’ dos EUA, e afirmou que “a grandeza moral de uma nação se manifesta, sobretudo, através da capacidade de apoiar, proteger e valorizar a vida de todos”.

“Como todo americano sabe, o caminho para construir uma sociedade que encarnasse aqueles elevados ideais de liberdade e de justiça para todos não foi sempre fácil e, em muitos aspetos, ainda é um trabalho em desenvolvimento. De facto, o esforço para concretizar essa visão deve ser retomado a cada geração e diante de desafios sempre novos”, disse Leão XIV, esta sexta-feira, na ligação em direto ao Centro Nacional da Constituição, em Filadélfia, a partir do Vaticano.

O Papa recebeu a 38.ª ‘Medalha da Liberdade’, atribuída pelo Centro Nacional da Constituição numa audiência privada em abril no Vaticano, pelo seu trabalho, “ao longo de toda a vida, na promoção da liberdade religiosa, da liberdade de consciência e da liberdade de expressão em todo o mundo”, que são ideais consagrados pelos fundadores da América na Primeira Emenda da Constituição dos EUA.

“Como filho deste grande país, fundado por homens e mulheres corajosos que sonhavam com a liberdade e um mundo melhor para si mesmos e para os seus filhos, uno-me a vocês para implorar as bênçãos de Deus sobre o futuro da América, para que os elevados ideais enunciados no início da Declaração de Independência possam continuar a guiar a prosperidade da nação na unidade, na justiça e na paz.”

A ‘Medalha da Liberdade’ homenageia homens e mulheres “de coragem e convicção” que se empenham em garantir “as bênçãos da liberdade aos povos de todo o mundo”, a cerimónia pública realizou-se hoje, véspera do 250.º aniversário da fundação dos Estados Unidos da América (4 de julho de 1776), perto do Independence Hall, o edifício onde foram assinadas a Declaração de Independência (1776) e a Constituição dos EUA (1787).

No discurso enviado à Agência ECCLESIA, Leão XIV refletiu sobre os princípios que nortearam os fundadores dos EUA, que todos os homens e mulheres são “criados iguais e dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis”, entre os quais o direito à vida, à liberdade “e à procura da felicidade”.

Nestes 250 anos de independência, os Estados Unidos da América foram “sinónimo de liberdade” para muitos povos do mundo, e abriu as portas a imigrantes e suas famílias que contribuíram para moldar o país, mesmo com grandes sacrifícios.

A partir do “fundamento da dignidade humana”, que precede a instituição de qualquer Estado “e cuja proteção constitui o seu próprio propósito”, defendeu o direito à vida em todas as formas e condições, e assinalou que a “grandeza moral” de uma nação se manifesta, sobretudo, “através da sua capacidade de apoiar, proteger e valorizar a vida de todos, especialmente dos mais vulneráveis”.

Segundo o Papa, nascido em Chicago, a liberdade, que se destaca entre os princípios da Declaração da Independência dos EUA, baseia-se “na capacidade do ser humano conhecer a verdade e de aderir ao bem”, e a América promove, “há muito tempo”, a liberdade religiosa necessária para “seguir de forma responsável os ditames da consciência a esse respeito, sem medo, nem coerção”, conforme previsto na Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.

“Para que uma nação possa prosperar, ela deve estar verdadeiramente unida; unida não apenas por objetivos ligados a empreendimentos momentâneos, mas por ideais que não se desvanecem com o passar do tempo. Que os princípios – uma dignidade humana compartilhada, a igualdade e os direitos enunciados na Declaração de Independência – sobre os quais refletimos sejam sempre uma fonte dessa unidade, um farol de orientação para o presente, e para os dias que virão.”

A ‘Medalha da Liberdade’ foi criada para comemorar o bicentenário da Constituição dos EUA, em 1988.

CB

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