Educação: Alunos em «hiperconexão» desafiam instituições de ensino

Simpósio «Traçar mapas educativos para uma Magnífica Humanização» abordou desafios do mundo digital

Foto: João Cláudio Fernades/Educris

Fátima, 02 out 2026 (Ecclesia) – Susana Sousa, professora e membro da direção da Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC), pediu hoje em Fátima maior atenção às “vulnerabilidades” dos alunos e ao “desafio da hiperconexão”, com consequências na saúde mental.

“A mochila digital que os alunos carregam de casa para a escola é verdadeira”, assinalou a diretora pedagógica do Colégio de Nossa Senhora do Rosário, no Porto.

A responsável falava no Simpósio sobre a Educação e a Escola em Portugal, subordinado ao tema ‘Traçar mapas educativos para uma Magnífica Humanização’.

Susana Sousa apresentou como “coordenadas” de resposta, nas Escolas Católicas, a “interioridade, a esperança e o cuidado”.

A docente convidou os participantes a olhar para a tecnologia como um “campo de missão”, oferecendo “balizas” aos alunos.

“Traçar mapas educativos, hoje, exige a coragem de navegar contra a rapidez do algoritmo”, defendeu.

João Mineiro, professor e membro do Conselho Nacional de Educação, destacou por sua vez o papel de “todas as lideranças” na escola para um trabalho centrado no cuidado com as pessoas

Falando no painel intitulado ‘Contributos da Educação Cristã perante uma realidade que (se) transforma’, o responsável advertiu que “mais acesso não é mais sabedoria”.

Adriano Batista, professor de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) no Algarve, apresentou uma reflexão em torno de três ideias: “habitar-se, habitar com e habitar o ainda não”.

O docente destacou a “urgência da interioridade” para o mundo educativo, afirmando que “há perguntas a que nenhuma tecnologia pode responder por nós”.

Adriano Batista sustentou ainda que a disciplina de EMRC deve introduzir no espaço escolar “a pergunta pelo sentido da vida”

Liliana Ventura, professora de EMRC de Aveiro, falou da sua experiência como docente em várias regiões do país, ao longo de mais de 20 anos, com alunos católicos e de diversas convicções religiosas.

José Miguel Antunes, membro do Conselho Executivo da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), destacando que a própria educação se transforma, perante as mudanças sociais.

“Educar é muito mais do que transmitir conhecimentos”, observou, apelando ao desenvolvimento do “pensamento crítico”.

O encontro nacional reúne 420 participantes, entre educadores, investigadores e responsáveis educativos, numa iniciativa da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima.

Inspirado no Pacto Educativo Global, nos desafios do Jubileu do Mundo Educativo e nos recentes ensinamentos do Papa Leão XIV, em particular na Encíclica ‘Magnifica Humanitas’, o simpósio assinala igualmente os 40 anos da Lei de Bases do Sistema Educativo.

O programa de dois dias conta com conferências, painéis, laboratórios temáticos e momentos culturais, reunindo personalidades do mundo da educação, da Igreja e da sociedade civil.

OC

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