Educação/IA: «Mais do que a tecnologia, importa a pedagogia», afirmou João Couvaneiro, apontando o papel insubstituível dos professores

«Aprender é uma forma de nos tornarmos humanos», afirmou professor universitário

Foto João Cláudio Fernades/Educris, João Couvaneiro

Lisboa, 02 out 2026 (Ecclesia) – O professor universitário e membro do Conselho Nacional de Educação alertou hoje para “mecanismos de ativação dopamínica das redes sociais” e desafiou os professores a ensinar “com paixão” e com as ferramentas de hoje, nomeadamente a Inteligência Artificial (IA).

“Temos de utilizar a IA para promover a aprendizagem dos nossos alunos”, afirmou, apontando para a necessidade de “desenvolver uma literacia para a IA” que permita à comunidade educativa “lidar com este fenómeno e com este mundo que não vai existir mais sem este tipo de recursos”, afirmou.

O professor universitário disse que “colocar a cabeça na areia não serve de nada” e que “não se ensina hoje com as ferramentas de ontem”.

“Como se ensina hoje, aos de amanhã, com as ferramentas de ontem?”, questionou.

João Couvaneiro sublinhou que “mais do que a tecnologia, importa a pedagogia”, o que torna “o trabalho dos professores insubstituíveis”.

“É a intencionalidade pedagógica, é a relação pedagógica que torna o professor absolutamente insubstituível e que nos permite salvar os nossos alunos”, sublinhou.

Aprender é uma forma de nos tornarmos humanos. E delegar na máquina esse exercício é prescindir o direito a ser humano”.

O professor universitário apontou para muitas formas de integrar as tecnologias no contexto educativo, sendo necessário ser “muito competente” na área do conhecimento”, ter “paixão” pelo ensino e “ser muito competente pedagogicamente”.

Foto João Cláudio Fernades/Educris, João Couvaneiro

João Couvaneiro apresentou no simpósio sobre a Educação e Escola em Portugal a segunda área temática, sobre o tema “Uma educação humanista na era da Inteligência Artificial”.

“Estaremos perante um ‘deus’ em construção? Estaremos a prescindir da condição humana para nos fazermos máquina? Estaremos perante o surgimento de sociedade de mecanismos e de culturas pós-humanos?”, questionou.

O professor universitário notou a relação entre o humano e as criações tecnológicas, como os robôs com a forma da pessoa humana e do “seu melhor amigo”, o cão, assim como analogias históricas e bíblicas que com processos e figuras do desenvolvimento da IA.

“As células, os cérebros e os computadores são produto de uma evolução, tão antiga como o universo, tendo entre as suas funções as de processar informação e dar ordem ao caos”, afirmou.

Na última comunicação do primeiro dia do simpósio, João Couvaneiro afirmou que o ambiente dos algoritmos desenvolve mecanismos emotivos, que têm por objetivo prender cada utilizador

“Cada vez mais a IA recorre a mecanismos de ativação dopamínica das redes sociais”, indicou

Na definição de IA, que conhece evoluções e diferentes aplicações de acordo com os objetivos pretendidos, João Couvaneiro disse que mais do que referir a capacidade das máquinas em “simular a inteligência humana”, é necessário falar na capacidade das máquinas em “emular” a inteligência humana.

Temos mecanismos que nós julgávamos apenas possíveis para os organismos”, afirmou, referindo um desenvolvimento tecnológico “perfeitamente descontrolado”.

“Começamos a ter entidades com identidade e autonomia. A IA hoje deixa de ser apenas uma estrutura reativa face a uma interação que escrevo numa caixa para, através dos agentes, ser proativa”, afirmou.

Na última comunicação do primeiro dia do simpósio, João Couvaneiro afirmou que o ambiente dos algoritmos desenvolve mecanismos emotivos, que têm por objetivo prender cada utilizador

“Cada vez mais a IA recorre a mecanismos de ativação dopamínica das redes sociais”, indicou

Na definição de IA, que conhece evoluções e diferentes aplicações de acordo com os objetivos pretendidos, João Couvaneiro disse que mais do que referir a capacidade das máquinas em “simular a inteligência humana”, é necessário falar na capacidade das máquinas em “emular” a inteligência humana.

“Temos mecanismos que nós julgávamos apenas possíveis para os organismos”, afirmou, referindo um desenvolvimento tecnológico “perfeitamente descontrolado”.

Simpósio “Traçar mapas educativos para uma Magnífica Humanização” reúne 420 participantes, entre educadores, investigadores e responsáveis educativos, numa iniciativa da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima.

PR

Partilhar:
Scroll to Top