Simpósio nacional reúne mais de 400 pessoas, durante dois dias, em Fátima

Fátima, 02 out 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé defendeu hoje, em Fátima, que o Estado deve contar com todos para responder aos desafios do ensino, em Portugal.
“Muitos esforços são feitos para uma autêntica renovação da educação. Importa, porém, que neste processo todos sejam chamados a participar: a educação em Portugal envolve muitas pessoas e instituições, não se restringe à escola pública”, assinalou D. António Augusto Azevedo, na abertura do Simpósio sobre a Educação e a Escola em Portugal, subordinado ao tema “Traçar mapas educativos para uma Magnífica Humanização”.
O encontro nacional reúne 420 participantes, entre educadores, investigadores e responsáveis educativos, numa iniciativa da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima.
Na sessão de abertura, esta manhã, D. António Augusto Azevedo, apontou a importância do encontro, falando na “urgência de repensar modelos, estratégias e propostas educativas num contexto de rápida mudança cultural”
“Educar é sempre um ato de esperança no futuro e de confiança na humanidade”, disse.
O bispo de Vila Real manifestou preocupação com a “desafeição dos jovens pela escola, descontentamento dos professores, o peso do Estado burocrático e centralista”.
O presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé apelou à “congregação e mobilização de todos”, para a busca de “caminhos novos, à altura dos desafios do presente”.
A intervenção sublinhou a importância do pacto global, lançado pelo Papa Francisco, e da encíclica ‘Magnifica Humanitas’, de Leão XIV, que desafia a superar a “mera lógica do conhecimento fragmentado, para chegar à questão do sentido”.
A sessão contou com a presença de D. Virgílio Antunes, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), o qual destacou o tema escolhido, sublinhando que “está em causa a edificação equilibrada” da humanidade e que “houve mapas errados, ao longo do percurso”.
“Os percursos educativos que nos propomos enquanto sociedade devem permitir-nos assumirem isso sim de forma consciente, livre e responsável a nossa humanidade e reconhecer a humanidade dos outros”, apontou o bispo de Coimbra.
O responsável apontou à construção de “caminhos de futuros mais sólidos, mais ousados e mais objetivos”, na Educação, assinalando a “grandeza e também os perigos da inteligência artificial”.



D. Andrés Carrascosa Coso, núncio apostólico em Portugal, referiu, por sua vez, que “educar é ajudar uma pessoa a encontrar caminhos, a descobrir horizontes e a reconhecer o sentido da própria existência”, mais do que “apenas transmitir conhecimentos ou competências”.
“Ajudar a pessoa a descobrir quem é, quem pode ser e para que é chamada”, indicou pedindo que as escolas católicas explicitem que a vida é “vocação”.
Para o responsável diplomático, “a escola não pode ser apenas um lugar de transmissão de conteúdos”.
“A escola deve ser sempre uma verdadeira comunidade educativa, um lugar onde o conhecimento, a cultura e a vida se encontram”, sustentou.
Numa nota pessoal, D. Andrés Carrascosa Coso apresentou-se como “filho de uma professora e irmão de quatro professoras”, sublinhando que o tema da Educação lhe é “muito querido”.
A intervenção evocou a carta apostólica ‘Desenhar novos mapas de esperança’, de Leão XIV, publicada em 2025 por ocasião do 60.º aniversário da declaração conciliar ‘Gravissimum Educationis’.
“Desejo que este simpósio seja um verdadeiro espaço fecundo de reflexão, de diálogo e de discernimento, que vos ajude a encontrar novos caminhos para que as nossas escolas sejam cada vez mais lugares de conhecimento e de encontro, de liberdade e de responsabilidade, de fé e de esperança”, concluiu.
Inspirado no Pacto Educativo Global, nos desafios do Jubileu do Mundo Educativo e nos recentes ensinamentos do Papa Leão XIV, em particular na Encíclica ‘Magnifica Humanitas’, o simpósio assinala igualmente os 40 anos da Lei de Bases do Sistema Educativo.
O programa conta com conferências, painéis, laboratórios temáticos e momentos culturais, reunindo personalidades do mundo da educação, da Igreja e da sociedade civil.
Na nota pastoral divulgada para a Semana Nacional da Educação Cristã, que decorre de 2 a 11 de outubro, a Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé apelou a um “pacto” educativo focado na pessoa, alertando para os riscos ligados ao uso da tecnologia na formação das novas gerações.
“A par das emergentes possibilidades tecnológicas, assistem-se a sinais de uma particular preocupação com a sua humanização, com o acolhimento dos mais frágeis, a defesa dos direitos humanos e a sensibilidade ecológica”, advertem os bispos portugueses.
OC
