Dia da Mulher: Irmãs Hospitaleiras valorizam liderança feminina, com leigas na assistência espiritual

Responsáveis sublinham dimensão de «cuidado maternal» que inscrevem nas relações humanas

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Lisboa, 07 mar 2026 (Ecclesia) – O acompanhamento espiritual nas unidades de saúde das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus é hoje liderado por uma leiga católica, promovendo um “cuidado maternal” das relações.

“É um trabalho que as irmãs, como congregação já estão a fazer há algumas décadas, creio que dão um bom testemunho para a Igreja”, disse à Agência ECCLESIA a coordenadora provincial do serviço, Cláudia Antunes, constatando que este ainda é um setor predominante masculino, com “caminho a fazer”.

A coordenação desta área na província portuguesa assume um modelo de gestão partilhada, unindo a orientação de uma religiosa consagrada à experiência de uma profissional leiga.

“A partilha com outros desta missão é isto mesmo, é fortalecer o dom do carisma, na atualidade, no hoje da Igreja, no hoje da história, para que juntos possamos sanar mais”, sublinhou a irmã Fernanda Esteves.

O trabalho é feito em articulação direta com médicos, psicólogos e enfermeiros, garantindo o bem-estar global da pessoa assistida através de equipas interdisciplinares.

“Muitas vezes, neste tempo de permanência na Casa de Saúde, surgem questões muito ligadas ao sentido de vida: para que é que eu vivo? Qual é o meu lugar no mundo?”, testemunhou Bárbara Leitão, assistente espiritual na unidade de Condeixa Nova.

Este trabalho em conjunto com o psiquiatra, com o psicólogo, com o terapeuta ocupacional, com o assistente social, seja com quem for, este trabalho interdisciplinar, queremos acreditar que o foco é para o bem-estar.” – Cláudia Antunes

O reforço da presença de mulheres na linha da frente do apoio espiritual introduz uma nova dimensão relacional num serviço tradicionalmente associado a sacerdotes.

“Este lado feminino é a forma de estar atenta a determinados detalhes. Eu sinto, ao vivo, um sexto sentido, como se costuma dizer, atento a coisas que não são meros detalhes, que são importantes, de cuidado com as pessoas assistidas, até mesmo na relação com as colegas e com as irmãs”, assinalou a coordenadora provincial.

A congregação recorda que a sua matriz fundacional remonta precisamente à amizade entre duas mulheres, Maria Josefa e Maria Angustias, orientadas por São Bento Menni.

“Se calhar neste momento nós, de alguma forma, estamos a renovar, a reavivar aquilo que o próprio Jesus viveu e nos deixou para continuarmos”, notou a irmã Fernanda Esteves, evocando a presença feminina junto de Cristo.

O desafio diário nas unidades de saúde mental exige que os profissionais assumam o seu papel de “cuidadores feridos”, reconhecendo as próprias fragilidades e limites para garantir uma ajuda eficaz.

“Abraçar a missão hospitaleira mais do que uma profissão, em qualquer uma das áreas, especialmente nesta área da pastoral, tem que ser uma vocação à hospitalidade”, concluiu Bárbara Leitão.

As entrevistas integram a emissão do Programa ‘70×7’ deste domingo (07h30, RTP2), Dia Internacional da Mulher.

HM/OC

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