Dia da Mulher: Emília Nadal aponta urgência de «lutar contra a violência»

Artista plástica assume obra como «espelho» da sociedade

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Évora, 07 mar 2026 (Ecclesia) – A artista plástica Emília Nadal apelou a um combate ativo contra a violência sobre as mulheres, sublinhando a força da arte na denúncia social.

“Sempre lutei para que, realmente, todas as mulheres possam ter acesso ao que eu tive, que possam, sobretudo, serem respeitadas, e serem, sobretudo, lutar violentamente contra a violência que se permite, muitas vezes, invocando boas razões”, disse à Agência ECCLESIA a criadora portuguesa, com 50 anos de trabalho.

A entrevistada assume uma intervenção cívica através da sua obra e exposições para denunciar agressões no seio familiar e nas relações.

“A minha forma de me expressar teria sido muito mais cómoda, talvez, e mais útil, de certa maneira, fixar-me numa determinada expressão, num determinado estilo, digamos assim, até para ser mais facilmente identificada e ser identificável como obra minha. Mas nunca tive essa oportunidade, nunca consegui”, explicou Emília Nadal.

A procura por novas linguagens e o espírito crítico marcaram a sua reconhecida fase ligada à ‘Pop Art’, alertando para os perigos de uma sociedade em mutação e focada no consumo.

“Eu utilizei a linguagem pop para exatamente fazer o retrato e o espelho de uma sociedade e de uma cultura pop”, indicou a entrevistada.

A reflexão crítica sobre a publicidade e a repetição resultou na criação de “slogans comestíveis”, moldados em forma de bolachas, uma experiência que tem agora reeditado com jovens alunos de artes em Évora.

“A bolachinha ‘slogans’, que vai ser comida daqui a uns instantes, permite que, realmente, a pessoa coma o slogan, não só o conteúdo, mas como o próprio produto e, neste caso, a própria palavra”, descreveu a criadora.

A vasta obra de Emília Nadal estende-se ao património religioso, incluindo cartazes para o Santuário de Fátima, desenhando cruzes para bispos, e concebendo o novo altar da Sé de Faro.

“Tudo o que ultrapassa a mediania da nossa linguagem e entra num outro patamar, é evidente que aproxima do sagrado, que aproxima da espiritualidade e, provavelmente, até desejavelmente, da própria fé”, sublinhou.

O trabalho da autora rejeita o mero registo devocional ou afetivo, privilegiando a transmissão da fé assente na dignidade estética e litúrgica ao serviço das comunidades.

“Não é preciso fazer, às vezes, uma obra extraordinária. Às vezes é na maior simplicidade, mas no maior equilíbrio entre todos os elementos que são necessários e, sobretudo, que tenha uma ideia de que realmente as pessoas são uma comunidade e que se sentem bem lá”, sustentou a artista.

As obras de Emília Nadal integram atualmente uma exposição patente no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, em Évora, que pode ser visitada até ao dia 22 de março.

A entrevista à artista integra a emissão do Programa ‘70×7’ deste domingo (07h30, RTP2), Dia Internacional da Mulher.

HM/OC

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