Novo responsável pelo Arquivo e pela Biblioteca do Vaticano recorda o trabalho dos últimos 20 anos na Universidade, na Capela do Rato e na Pastoral da Cultura

Lisboa, 27 jul 2018 (Ecclesia) – D. José Tolentino Mendonça disse à Agência ECCLESIA que avalia os últimos 20 anos de trabalho académico e apostólico de forma “muito positiva” e defendeu que na Igreja é necessário ouvir “o ponto de vista diferente”.

“A Igreja ganha muito em ouvir, em conversar amigavelmente sobre os temas, em despertar o encontro, possibilitá-lo, convocá-lo, porque essa é, de facto, a sua missão”, afirmou em entrevista à Agência ECCLESIA.

“Não temos de ter medo da diferença, mas temos de sentir uma sedução pelo ponto de vista diferente, pelo que olha o mundo a partir de outro humor, outro olhar, de outro conhecimento, porque ganhamos sempre com o encontro, com o conhecimento”, acrescentou.

O sacerdote e poeta madeirense considera que é necessário “vencer as lógicas de capelinha”, a “timidez em fomentar o diálogo” e também os preconceitos em relação “ao que pode ser um diálogo com a eclesialidade”.

“Há que desmontar medos, receios e fazer experiência”, afirmou, acrescentando que “não importa que dimensões tenham as experiências”, antes valorizar a “cultura do encontro”

“Há páginas inesperadas do Evangelho que estão à nossa espera. Só nessa surpresa dos encontros nós podemos captá-las”, acrescentou.

D. José Tolentino Mendonça sublinhou ainda que “a caridade, a hospitalidade do outro, é a grande ortodoxia cristã”.

“O cristianismo é uma experiência essencial. É uma verdade. Mas não é uma verdade que me coloca contra os outros. É uma verdade que me abre radicalmente aos outros. A verdade do cristianismo é a hospitalidade. Não é uma fronteira vigiada policialmente. Por isso, não há que ter medo do encontro, porque o amor é a grande ortodoxia”, afirmou.

Até agora vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa, que foi o primeiro diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura e era capelão da Capela do Rato, desenvolveu nas diferentes frentes do seu trabalho projetos de diálogo com todas as pessoas.

“Para a minha espiritualidade, tem sido muito importante o que recebo dos outros, crentes e até dos não crentes que me ensinam muito sobre Deus. Há agnósticos que me ensinam muito sobre Deus porque me colocam as perguntas e eu tomo-as como uma possibilidade de caminho e até de oração para mim”, afirmou.

D. José Tolentino Mendonça considera que uma “espiritualidade que tenha uma intransigência em ficar fechada num determinado círculo, acaba por ficar mais pobre”, porque o desafio é ser “Igreja em saída”, e é na dinâmica do envio, do “mandato do encontro” que é possível “encontrar páginas inesperadas do Evangelho”.

O sacerdote e poeta madeirense considera “muito positiva” a ação que desenvolveu nos últimos 20 anos, após ter concluído do doutoramento em Roma.

“A multiplicação da vida que damos aos outros, a aposta que fazemos numa relação de confiança e de amizade é sempre fecunda. Pelo menos em mim deixa um perfume inapagável”, sublinhou.

“Não consigo imaginar a minha vida sem estes 20 anos”, concluiu.

O Papa Francisco nomeou, a 26 de junho, o sacerdote madeirense como arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica, elevando-o à dignidade de arcebispo.

D. José Tolentino Mendonça é ordenado bispo este sábado, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, e inicia funções como arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica no dia 1 de setembro.

PR

“Uma biblioteca é um lugar onde se guarda a memória e onde pulsa o desejo de futuro”

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