Novo responsável pelo Arquivo e pela Biblioteca da Santa Sé quer promover um “espírito de convergência” com outros serviços da Cúria Romana

Lisboa, 27 jul 2018 – D. José Tolentino Mendonça disse à Agência ECCLESIA que colaborar com o Papa Francisco “é um privilégio” e que o setor da cultura do Vaticano tem sido marcado pela “criatividade” e pela capacidade de “fazer notícia positiva”.

“Poder colaborar de perto com o Papa Francisco é um privilégio muito grande para mim e é uma palavra de ordem que eu, na obediência e na fidelidade à Igreja, senti-me no dever de acolher com as minhas limitações e imperfeições”, disse o novo bibliotecário e arquivista da Santa Sé.

No dia 26 de junho, o Papa Francisco nomeou o sacerdote madeirense como arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica, elevando-o à dignidade de arcebispo.

“Rezei a resposta, naturalmente! Porque tem de ser uma resposta em consciência e em liberdade. Fundamentalmente não houve uma hesitação, houve um discernimento”, afirmou.

D. José Tolentino Mendonça disse que o projeto que tem “é aprender com as pessoas que lá estão, ouvir, conhecer, perceber o que se faz, valorizar”.

“É nessa atitude que eu vou para este lugar e esta missão”, acrescentou.

O novo arquivista e bibliotecário da Santa Sé referiu que o cargo é “uma responsabilidade muito grande” porque ajuda a “dar elevação ao debate público, a dar profundidade, a dar uma largueza diferente” às preocupações que muitas vezes “são as mais imediatistas, da agenda, do que se tem de resolver”.

“Uma biblioteca serve para dar profundidade ao nosso olhar, para rasgar novos horizontes, para complexificar o que muitas vezes é reduzido de forma simplista”, sublinhou.

D. José Tolentino Mendonça sublinhou também que deseja promover um “espírito de convergência” com o Pontifício Conselho para a Cultura e os outros órgãos da Cúria Romana, porque “o Arquivo e a Biblioteca existem para servir” e esse “espírito de convergência estará sempre como atitude fundamental”.

Questionado sobre a coordenação do setor da Cultura da Santa Sé pelo cardeal Gianfranco Ravasi, disse que “tem brilhado de facto pela criatividade, pela consistência das propostas, pela profundidade da sabedoria que é colocada em ato, pela capacidade de gerar encontros e de fazer notícia positiva com acontecimentos que unem toda a gente em torno do essencial”.

“Eu considero o cardeal Ravasi um dos grandes mestres do catolicismo contemporâneo”, sublinhou, acrescentando que começou por o conhecer como biblista de quem muito aprendeu e que considera “dom inestimável”.

Na entrevista à Agência ECCLESIA, D. José Tolentino Mendonça recordou também a proximidade com outros responsáveis da Santa Sé por ocasião da Exercícios Espirituais à Cúria Romana, referindo que ficou impressionado com a “qualidade” das pessoas.

“É um serviço de grande qualidade à Igreja e que o povo de Deus também ganha em conhecer e acompanhar”, sublinhou.

D. José Tolentino Mendonça é ordenado bispo este sábado, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, e inicia funções como arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica no dia 1 de setembro.

A entrevista a D. José Tolentino Mendonça pode ser lida integralmente no portal da Agência ECCLESIA e vai ser emitida no programa Ecclesia da Antena 1, este domingo às 06h00, e no programa 70×7, também este domingo, às 13h45.

PR

“Uma biblioteca é um lugar onde se guarda a memória e onde pulsa o desejo de futuro”

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