«Que a prioridade sejam os mais vulneráveis, em cada um dos países» – Rui Marques

Lisboa, 28 set 2020 (Ecclesia) – O Instituto Padre António Vieira (IPAV) está a promover em Portugal a iniciativa ‘Vacina COVID-19 para Todos’, defendendo que a prioridade devem ser “os mais vulneráveis em cada um dos países”, com o apoio de 117 personalidades portuguesas.

“Que possa ser acessível em todo o mundo através do critério de prioridade consoante a vulnerabilidade das pessoas, e não a nacionalidade ou poder económico”, disse o presidente da direção do Instituto Padre António Vieira à Agência ECCLESIA.

Rui Marques explica que é importante que a vacina, “ou vacinas”, quando forem descobertas “sejam acessíveis a todos os cidadãos do mundo, segundo um critério de maior vulnerabilidade”, isto é, as pessoas mais vulneráveis “poderem ter prioridade e depois os menos vulneráveis”.

O presidente da direção do IPAV salienta que “é possível encontrar uma solução equilibrada” e há passos que estão a ser dados para que “os países se unam para poderem, com as farmacêuticas, encontrar uma plataforma em que estas vacinas, desde que sejam seguras e eficazes, possam chegar aos sete mil milhões de habitantes do mundo por critério de vulnerabilidade”.

“Esta proposta não é uma utopia, não é radical, no sentido de não reconhecer que há um justo e devido retorno que as farmacêuticas esperam e devem ser ressarcidas. Não podem é transformar esta vantagem, se fosse vendida a preços muito elevados, o que limitaria que só alguns países tivessem acesso, capacidade financeira para comprar essas vacinas”, assinalou.

Para Rui Marques, é um ponto “muito importante” justiça com as farmacêuticas que estão a fazer “investimentos nos processos de desenvolvimento de uma vacina”, realçando que a visão para o século XXI baseada “nesta perspetiva da interdependência” e de trabalhar para que juntos todos de salvem “é sempre uma solução ganho, a ganho”.

“Todos os problemas complexos que o mundo seculo XXI enfrenta não podem ser resolvidos em lógicas de competição e concorrência desenfreada de cada um por si. A única forma de gerir a complexidade, como é uma pandemia ou como podem ser outros eventos que vamos encontrando no nosso caminho, só podem ser enfrentados através de dinâmicas de colaboração, de juntarmos esforços, para juntos podermos enfrentar essas dificuldades”, desenvolveu no programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP 2.

Foto: Lusa

O entrevistado sublinha que “é do interesse comum”, sendo uma pandemia, que a gestão das respostas “possa ser feita à escala global”.

“Só estaremos a salvo, cada um de nós, quando todos puderem estar a salvo”, destacou, salienta a importância do “trabalho colaborativo” que hoje pode seguir uma perspetiva de “juntar esforços” para “enfrentar este desafio”, nomeadamente em torno da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O presidente da direção do Instituto Padre António Vieira explica que a petição ‘Vacina COVID-19 para Todos’ surge da iniciativa mundial de Muhammad Yunus, o fundador do microcrédito e Prémio Nobel da Paz em 2006, que convocou outros prémios nobel, ex-presidentes, líderes empresariais, que pretendem que a futura vacina “possa ser um bem-comum global”.

“Sabemos que a imunidade de grupo demora muito tempo e terá custos muito elevados a nível da mortalidade, por isso, percebemos que em todo o mundo há movimento enorme em busca de uma vacina que seja segura e eficaz”.

Rui Marquês explica que a posição do Instituto Padre António Vieira, associação sem fins lucrativos constituída em 2005., é de “serviço a esta causa” e mobilizaram 117 signatários de diversas áreas da sociedade portuguesa, como o ex-presidente da República, António Ramalho Eanes; o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente; D. José Tolentino Mendonça, bibliotecário e arquivista do Vaticano; a escritora Lídia Jorge; e os ex-ministros da Saúde Ana Jorge, Adalberto Campos Fernandes e Maria de Belém.

HM/CB/OC

No seu discurso à ONU, na última sexta-feira, o Papa referiu-se à questão da vacina para a Covid-19: “Renovo o apelo aos responsáveis políticos e ao setor privado para que tomem as medidas apropriadas, a fim de garantir o acesso às vacinas contra a Covid-19 e às tecnologias essenciais necessárias para cuidar dos doentes. E se for preciso privilegiar alguém, que seja o mais pobre, o mais vulnerável, aquele que normalmente é discriminado por não ter poder ou recursos económicos”.

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