Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana manifesta ainda preocupação com situações de violência doméstica

D. José Traquina, Foto Agência Ecclesia/MC

Santarém, 06 jul 2020 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana afirmou que a família se afirmou “como um valor muito grande” para a sociedade portuguesa, no confimanento provocado pela pandemia.

“Foi mesmo uma expressão de bem para a defesa da própria sociedade. Claro que houve dificuldades, foi o teletrabalho, foram as crianças que estiveram aulas a partir de casa, foi algum cansaço, mas também foi a descoberta nas crianças de estar mais tempo junto dos pais, não tanto com os avós, porque se gerou esse cuidado”, disse D. José Traquina à Agência ECCLESIA.

O bispo de Santarém realça que “a família vem ao de cima como uma grande bem” neste combate contra a propagação do novo coronavírus e viu “reforçado” o seu valor.

D. José Traquina contextualiza que é a família “cuida do bom ambiente onde as pessoas se estimam, se respeitam”, e cultivam entre si um conjunto de valores que “dá gosto, e dê gosto, viver”, considerando que merecem ser “mais apoiadas para cumprir a sua missão”.

Quanto melhor a família funcionar, melhor funcionarão as empresas, melhor funcionarão as instituições, melhor funcionará a escola, melhor funcionará o mundo”.

O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana assinalou que o período de isolamento foi exaustivo para todos, porque “estar dois meses em confinamento é muito tempo”, e revela que pensou e rezou pelas famílias.

“Foi preciso muita imaginação da parte dos pais para viver essa situação com alegria, com uma capacidade de gestão dos afetos”, acrescentou, manifestando preocupação pela diminuição em 52% de “comunicações de situações de perigo”  de crianças durante o confinamento, segundo dados da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens.

“Tudo o que é menos cuidado com a pessoa humana, tudo isso nos preocupa, obviamente”, referiu D. José Traquina, afirmando que a “violência doméstica em Portugal é muito preocupante”.

O bispo de Santarém alerta que o aumento dos números de queixas de violência doméstica nos últimos anos, significa que “há gente que promoveu o casamento, ou a união, mas não tem condições humanas para viver com outra pessoa”.

Ninguém nasceu para ser feliz sozinho, mas somos felizes na medida em que tornamos felizes os outros. Como é que alguém promove dentro da sua própria casa o mau estar ao ponto de estar sempre a ameaçar com a morte o seu semelhante. Não faz sentido”.

Entre hoje e sexta-feira, D. José Traquina é o convidado do programa ‘Ecclesia’, na Antena 1 da rádio pública, onde pelas 22h45 vai refletir sobre diversos temas a partir do documento ‘Recomeçar e reconstruir’, documento Conferência Episcopal sobre a sociedade portuguesa a reconstruir depois da pandemia de Covid-19, apresentada na última reunião dos bispos católicos em Fátima.

O tema esteve também em destaque na edição deste domingo do programa ‘70×7’, na RTP2.

LS/CB/OC

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