Iniciativa inter-religiosa tem o apoio do Papa, do grande-imã de Al-Azhar e de António Guterres

Cidade do Vaticano, 14 mai 2020 (Ecclesia) – O Papa Francisco convida os católicos de todo o mundo a unir-se hoje a um dia de oração, jejum e obras de caridade pelo fim da pandemia de Covid-19.

A iniciativa partiu do Alto Comité para a Fraternidade Humana, nascido após a viagem do Papa a Abu Dhabi (fevereiro de 2009), a primeira visita de um pontífice católico à Península arábica, reunindo responsáveis católicos e muçulmanos, para pedir que crentes de todas as religiões se unam espiritualmente.

“A oração é o modo para comunicar e escutar Deus. Com esse espírito, aceitei o convite do Alto Comité para a Fraternidade Humana para dedicar o dia 14 de maio à oração, ao jejum e às obras de caridade. Convido e encorajo todos a participar neste evento. Unamo-nos como irmãos no pedido ao Senhor para salvar a humanidade da pandemia, iluminar os cientistas e curar os doentes”, disse Francisco, esta quarta-feira, durante a audiência geral.

Também o secretário-geral da ONU, António Guterres, se uniu a este apelo, através da sua conta no Twitter: “”Em tempos difíceis, devemos permanecer juntos pela paz, humanidade e solidariedade”.

O responsável português juntou a sua voz à do Papa Francisco e à do grande-imã de Al-Azhar, Ahmed el-Tayeb.

O presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso (Santa Sé), cardeal Miguel Angel Ayuso Guixot, considera ser um sinal positivo que “a partir da fé dos líderes religiosos, através de grupos e responsáveis pela vida social e política, haja um momento de oração e solidariedade para invocar o fim dessa pandemia”.

“Cada pessoa, em todas as partes do mundo, segundo sua religião, fé ou doutrina, para que Ele elimine essa epidemia, nos salve desta aflição, ajude os cientistas a encontrar um remédio que a derrote”, explica o Comité para a Fraternidade Humana.

Na informação divulgada pelo sítio online ‘Vatican News’, o organismo adianta que a intenção de oração pede a Deus que “liberte o mundo das consequências sanitárias, económicas e humanitárias da propagação desse contágio grave” do novo coronavírus.

Foto: Vatican Media

A mensagem ‘Rezar pela humanidade’ é dirigida aos “irmãos que acreditam em Deus criador e aos irmãos em humanidade onde quer que estejam”.

O organismo é formado pelo cardeal e presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, D. Miguel Ángel Ayuso Guixot; pelo presidente da Universidade de Al-Azhar, o professor Mohamed Hussein Mahrasawi; pelo secretário pessoal do Papa Francisco, mons. Yoannis Lahzi Gaid; pelo conselheiro do grande imã, o juiz Mohamed Mahmoud Abdel Salam; pelo presidente do Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi, Mohamed Khalifa Al Mubarak; pelo secretário-geral do Conselho Muçulmano dos Anciãos, Sultan Faisal Al Rumaithi; pelo escritor e representante dos media árabe, Yasser Hareb Al Muhairi; e o rabino Bruce Lustig.

A 4 de fevereiro de 2019, o Papa Francisco e Ahmad al-Tayeb assinaram nos Emirados Árabes Unidos a Declaração de Abu Dhabi, apresentada como “histórica”, pelo Vaticano, que condena o terrorismo e a intolerância religiosa.

“Pedimos a todos que deixem de usar as religiões para incitar o ódio, a violência, o extremismo e o fanatismo cego, e que se abstenham de usar o nome de Deus para justificar atos de assassinato, exílio, terrorismo e opressão”, refere o documento sobre a fraternidade humana para a paz mundial e a convivência comum.

Al-Azhar é a mais conceituada instituição teológica e de instrução religiosa do Islão sunita no mundo e a mais antiga universidade islâmica, tendo sido construída em 969.

OC

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