Declaração oficial pede cuidado com todas as gerações e resposta verdadeira «ao grito da Terra e ao grito dos pobres»

Foto: Lusa/EPA

 

Cidade do Vaticano, 11 nov 2021 (Ecclesia) – A delegação da Santa Sé que participou na COP26 espera que as decisões finais da conferência mostrem um “genuíno sentido de responsabilidade”, com todas as gerações, e que respondam “verdadeiramente ao grito da Terra e ao grito dos pobres”.

“Os ambiciosos compromissos assumidos pelos Estados de limitar o aumento da temperatura média global a 1,5° C acima dos níveis pré-industriais e de fornecer os recursos financeiros necessários para isso são promissores e, na verdade, essenciais para a sobrevivência das comunidades mais vulneráveis”, lê-se na declaração oficial, divulgada pelo Vaticano.

No documento enviado hoje à Agência ECCLESIA, a delegação da Santa Sé “agradece os compromissos” que os Estados assumiram nas suas promessas, alertando que há “mais a ser feito” mas “é importante ser proativo” na procura de maneiras eficazes para implementar as promessas feitas.

A Santa Sé também participou na 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), em Glasgow, que começou a 31 de outubro e termina esta sexta-feira.

A cidade escocesa acolheu mais de 120 líderes políticos e milhares de especialistas, ativistas e decisores públicos, para atualizar os contributos dos países para a redução das emissões de gases com efeito de estufa até 2030.

“Durante essas duas semanas, várias ‘lacunas’ surgiram nas áreas da mitigação, adaptação e financiamento. Os recursos disponibilizados para estes três aspetos, fundamentais para a concretização dos objetivos do Acordo de Paris, deverão ser reforçados e renovados para a concretização desses objetivos”, desenvolve a Santa Sé.

Neste contexto, espera que a COP26 possa chegar a um acordo sobre “um roteiro claro” para fechar essas lacunas em breve, “com os países desenvolvidos a assumir a liderança”.

Foto: Lusa/EPA

A delegação do Vaticano salienta que a questão das perdas e danos “é particularmente crítica para as comunidades mais vulneráveis às mudanças climáticas”, como foi reconhecido no apelo conjunto por líderes religiosos e cientistas, que se reuniram com o Papa, no dia 4 de outubro.

A delegação presidida pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, apresentou as preocupações de Francisco com o ambiente, “enfatizando a face humana da crise climática, o seu impacto sobre os mais pobres” e os que menos fizeram para causá-la.

“Muitos dos nossos irmãos e irmãs estão a sofrer com esta crise climática. As vidas de inúmeras pessoas, especialmente as mais vulneráveis, têm sentido os seus efeitos cada vez mais frequentes e devastadores”, referiu Francisco, numa mensagem lida pelo cardeal italiano, no dia 2 de novembro.

A declaração cita também a carta que o Papa Francisco escreveu aos católicos da Escócia, e foi divulgada hoje: “O tempo está a esgotar-se. Esta ocasião não deve ser desperdiçada”.

CB

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