Sacerdote jesuíta e vaticanista brasileira destacam exemplo de liderança dado por Francisco

Lisboa, 11 jun 2020 (Ecclesia) – O padre António Valério, diretor do Secretariado Nacional da Rede Mundial de Oração do Papa (RMOP), disse à Agência ECCLESIA que a pandemia, com implicações nas relações humanas e nos modelos de sociedade, exige “novas formas de estar e de responsabilidade”.

O sacerdote jesuíta é um dos convidados da edição de hoje das ‘Conversas na Ecclesia’, dedica à atualidade do Vaticano e à atividade do Papa.

Segundo o entrevistado, parece que “em pouco tempo parece que está tudo a voltar ao normal”, à vida de antes.

“Foi um tempo que nos poderia ter ensinado muito, e ensinou, mas parece que tudo pode cair no esquecimento rapidamente”, alerta o padre António Valério.

O religioso assinala a necessidade de construir uma “espiritualidade da pandemia” e repensar, até, o modo de viver a fé, com valorização da dimensão doméstica, por uma “celebração interior e mais profunda”.

“Tudo o que aconteceu deve fazer-nos pensar que aquilo que nos é dado celebrar nos sacramentos é, sobretudo, uma graça de Deus e não algo a que tenhamos direito”, observa.

A RMOP divulga mensalmente o ‘Vídeo do Papa’, com as suas intenções de oração, que em junho evoca as vítimas da pandemia, numa reflexão sobre o Coração de Jesus, devoção particularmente presente este mês, na tradição católica.

Para o padre António Valério, esta foi uma escolha “providencial”, porque em 2020 “o rosto do sofrimento está muito visível” nos doentes de Covid-19 e em tudo o que a rodeia.

A intenção mensal de oração do Papa é uma tradição com mais de 100 anos, hoje divulgada através das plataformas digitais, em todo o mundo.

Mirticeli Medeiros, vaticanista brasileira e historiadora, realça que o atual pontificado promoveu uma “grande revolução do ponto de vista comunicativo”.

“A reforma do Papa Francisco parte da comunicação”, assinala.

Desde o início da pandemia, a ação do pontífice tem procurado promover um “compromisso cívico” de proteção do outro, para os cristãos uma consequência da fé, do amor ao próximo que é um ensinamento central de Jesus.

“O Papa tem sido um agente de consciencialização”, afirma.

Para a jornalista, a própria suspensão das celebrações comunitárias é, de alguma forma, uma maneira de “colocar-se ao serviço do próximo”.

O projeto ‘Conversas na Ecclesia’ tem objetivo de para partilhar, de segunda a sexta-feira, um tempo de diálogo sobre cinco temas, publicados nas redes sociais, a partir das 17h00.

A semana começa com temas direcionados para jovens, depois a solidariedade e o cuidado da casa comum, as novas formas de liturgia e de pertença, os acontecimentos vividos a partir do Vaticano e, a terminar a semana, uma conversa com propostas e perspetiva culturais.

OC

Vaticano: Papa lembra sofrimentos da pandemia na sua intenção de oração para junho (c/vídeo)

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