O serviço aos outros, a música e as expetativas do desconfinamento com três jovens de diferentes realidades na rubrica “Momentos F5”

Lisboa, 11 mai 2020 (Ecclesia) – Eduardo Jardim, da paróquia de Esgueira, na diocese de Aveiro, pertence ao grupo de preparação para o crisma, e aponta que “vai ser difícil voltar” mas acredita que os jovens podem ter “um papel fundamental nesse regresso à Igreja”. 

“Vai ser difícil voltar à Igreja como vai ser difícil voltar a todo o lado, as medidas de prevenção vão ajudar a diminuir o receio e acho que, nós, jovens, podemos ter um papel fundamental nesse regresso à Igreja, fazendo iniciativas que chamem as pessoas”, afirmou em declarações à Agência ECCLESIA. 

O jovem escuteiro, que se prepara para o sacramento do Crisma, alerta que as transmissões online, que foram acontecendo devido ao confinamento, “podem criar falta de vontade” de voltar à Igreja e são “os jovens que têm o papel de fazer as pessoas sair de casa”. 

Eduardo Jardim continua a ter catequese online, uma experiência diferente, para quando chegar a data do crisma “se sentirem preparados”. 

“Tem sido uma experiência engraçada, é a altura da semana em que vejo os meus colegas, que não vejo na escola, e tem sido interessante falar vários temas, como este da pandemia e depois a preparação sem ser numa sala de catequese, e a forma como os catequistas têm preparado, tem sido interessante”, destaca. 

Eduardo Jardim está a terminar o 12º ano e sonha com a universidade “sem conseguir perceber o que vai acontecer”, também neste tempo de confinamento a música tem sido uma companhia, pertence à Banda Amizade, uma banda sinfónica e centenária de Aveiro, onde toca flauta transversal.  

“Os momentos em que toco e ensaio, quando as coisas correm mal ainda é pior, e engano-me muitas vezes, mas também o exercício físico que tenho feito para me libertar”, conta. 

Já Carolina Marques pertence ao grupo “Contra a Corrente”, de São Martinho de Anta, na diocese do Porto, que resolveu “aliar os grupos de paróquias vizinhas” para um projeto de voluntariado.

“Quando começámos este projeto de voluntariado nunca pensei chegar a estar proporções, 100 voluntários, levamos refeições a sem abrigo e outras pessoas, vamos à farmácia e cada voluntário tem uma pessoa atribuída com quem conversamos”, partilha. 

A jovem universitária conversa diariamente com “duas senhoras muito queridas, que são quase como amigas”, um “call center” que se estende a 200 pessoas, distribuídas pelos jovens voluntários. 

“Estas duas senhoras têm marcado a minha quarentena, sou uma pessoa de risco, só saio em urgência, e por isso, estar em casa e falar com elas aquece-me o coração, já combinamos chás e cafés para depois da quarentena, conversamos muito”, confessa.

Outra iniciativa do grupo de jovens é a distribuição de pequenos almoço para “um miminho a mais” às crianças, que recebem os almoços escolares e que “as famílias não lhes conseguem dar um bom pequeno almoço”.

A estudante de Direito diz “saber que que estas ajudas não vai ser só durante a pandemia mas vai-se alargar e confessa outros receios.

“Eu agora quando chego ao pé de uma pessoa já não tenho aquele hábito de a cumprimentar e isso preocupa-me, essa noção de comunidade que se está a perder”, alerta. 

A “Conversa na Ecclesia”, esta segunda-feira, juntou ainda Duarte Pereira, coordenador do grupo de Acólitos da paróquia de Santa Cecília, na diocese do Funchal, que trouxe uma realidade diferente, de uma vivência em “cerco sanitário”.

“A zona de Câmara de Lobos esteve com cerco e foi difícil e o grupo de acólitos esteve a colaborar com os idosos, seja nas compras e na farmácia, o que não foi muito, o que quer dizer que as famílias estão envolvidas e não os deixam sós”, admite.

Duarte Pereira aponta que o “lema dos acólitos é servir”  e que “o serviço não pode ser só na Igreja mas passar para o exterior, ajudar uns aos outros”.

“Até para mim é bom, eu que não gosto de estar em casa, o facto de ajudar e ver o sorriso na cara das pessoas que ajudamos, sentirem essa gratidão, isso compensa tudo”, afirma. 

O projeto “Conversas na Ecclesia” tem objetivo de partilhar, de segunda a sexta-feira, um tempo de diálogo sobre cinco temas, publicados nas redes sociais, a partir das 17h00.

A semana começa com temas direcionados para jovens, depois a solidariedade e o cuidado da casa comum, as novas formas de liturgia e de pertença, os acontecimentos vividos a partir do Vaticano e, a terminar a semana, uma conversa com propostas e perspetiva culturais.

SN

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