Missionário espiritano e Ricardo Perna, jornalista, analisam «Semana do Papa» do 13 de maio ao pós-pandemia

Lisboa, 14 mai 2020 (Ecclesia) – O padre Tony Neves, religioso espiritano a residir em Roma, considera que o pós-pandemia deve ser um tempo de construção, em vez de um “regresso” ao que se vivia anteriormente, seguindo as orientações do Papa.

“A normalidade antiga não serve para o futuro, nós queremos qualquer coisa diferente do normal que nos trouxe até aqui”, referiu o convidado das ‘Conversas na Ecclesia’ que hoje analisam a ‘Semana do Papa’, com a presença do jornalista Ricardo Perna, da Família Cristã’.

A iniciativa abordou as mensagens que o Papa dirigiu ao Santuário de Fátima, num 13 de maio inédito na Cova da Iria, sem a presença de peregrinos.

Para o padre Tony Neves, Francisco soube ter uma intervenção para “este ano”, marcado pela pandemia, manifestando o seu apoio à decisão “muito dolorosa” de fechar fisicamente o recinto.

Ricardo Perna destaca um Papa atento à realidade que se viveu no Santuário, com a intenção de se “tornar um peregrino como todos os outros”.

O jornalista deixa um elogio à forma discreta como foi celebrada a peregrinação internacional, com a consciência do momento que se vive e com a capacidade simbólica de representar “todos os peregrinos e as vítimas da pandemia”.

O profissional da ‘Família Cristã’ assinala que, apesar de algumas vozes dissonantes, houve uma “comunhão muito grande” com este 13 de maio, em recinto fechado.

Já a 18 de maio, o Papa Francisco vai assinalar no Vaticano o centenário do nascimento de São João Paulo II.

O Papa polaco “marcou” a vida do padre Tony Neves, que o acompanhou em Coimbra (1982), em Angola e São Tomé (1992) e nas JMJ de Paris (1997).

Já Ricardo Perna guarda a imagem do “primeiro Papa global” e a sua ligação particular a Fátima.

A Missa junto ao túmulo de São João Paulo II (07h00 de Roma, menos uma em Lisboa) vai ser a última a ser transmitida em direto, online – iniciativa que começou aquando do confinamento provocado pela propagação do novo coronavírus -, dado que as igrejas da Itália vão reabrir, num momento de desconfinamento e de regresso das celebrações comunitárias.

O padre Tony Neves fala de um momento de “muita alegria” para os católicos, com regras muito próximas das que estão a ser definidas em Portugal.

O religioso português indica que Roma e a região do Lácio foram relativamente “poupadas” à pandemia, sem “comparação possível” ao que aconteceu mais a norte, sobretudo na Lombardia.

O regresso gradual à normalidade, no Vaticano, segue as indicações das autoridades de saúde da Itália

“É um sinal que o Papa deixa para a sociedade”, sustenta Ricardo Perna, liderando pelo “exemplo”.

Os convidados falaram ainda da jornada inter-religiosa de oração e jejum que se celebra hoje, pelo fim da pandemia, um sinal de “abertura enorme”.

“O Papa Francisco tem feito do diálogo uma arma poderosíssima”, destaca o padre Tony Neves para quem é preciso cultivar a fraternidade e a solidariedade, “molas” que vão projetar a humanidade para o futuro.

Ricardo Perna sublinha a importância de esta iniciativa unir a oração e a ação solidária, como tem feito o Papa.

O projeto “Conversas na Ecclesia” tem objetivo de para partilhar, de segunda a sexta-feira, um tempo de diálogo sobre cinco temas, publicados nas redes sociais, a partir das 17h00.

A semana começa com temas direcionados para jovens, depois a solidariedade e o cuidado da casa comum, as novas formas de liturgia e de pertença, os acontecimentos vividos a partir do Vaticano e, a terminar a semana, uma conversa com propostas e perspetiva culturais.

OC

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