Media: Jornal digital «Terra de Miranda Notícias» é «missão e serviço» contra a desinformação e esquecimento do interior

Diretor, jornalista e editor, Hugo Anes vai participar nas Jornadas Nacionais de Comunicação Social e partilhar o projeto informativo, agregador e promotor do Planalto Mirandês

Foto: Terra de Miranda – Notícias

Vimioso, 20 set 2026 (Ecclesia) – Hugo Anes, diretor do jornal digital «Terra de Miranda Notícias», afirma que a publicação é a única que existe “em todo o planalto mirandês” e que procura dar informação além daquela veiculada pela autarquia.

“Nestes três concelhos, de Miranda de Douro, de Vimioso e Mogadouro não existia um jornal local. O que existe é a comunicação dos três municípios, mas isso não é jornalismo”, explica à Agência ECCLESIA o jornalista e editor da publicação nascida em 2020.

O jornal digital «Terra de Miranda Notícias» nasceu no contexto da pandemia do Covid-19, quando Hugo Anes regressa a Trás-os-Montes, procurando contrariar o confinamento que a cidade de Lisboa impunha, em troca da liberdade do campo.

“Trabalho muito sozinho mas nunca me sinto só porque o trabalho jornalístico obriga-nos a ir ao encontro das pessoas. Eu não me sinto só. Hoje, por exemplo, vou à apresentação do jogo da equipa de futsal, que vai iniciar a época no próximo dia de semana. O trabalho de redação, em frente ao computador, é solitário, mas o jornalismo leva-me ao encontro das pessoas”, conta.

Apoiado pelo trabalho que a agência Lusa e a Agência ECCLESIA publicam, Hugo Anes procura privilegiar a proximidade para a produção informativa local.

“No interior, o ritmo de vida é menos acelerado do que nas cidades, o despovoamento é preocupante e as pessoas precisam ser informadas. Aqui no interior as pessoas privilegiam a informação de proximidade e gostam de saber o que acontece na sua aldeia, na sua vila. Há uma forte identificação com o local”, explica.

Entre tantas funções que exerce para que a publicação se concretize, o jornalista dá conta do equilíbrio necessário entre “o tempo escasso” e não deixar esquecer “ofícios em extinção”, e insistir naquilo que entende ser também “um serviço” tornando a publicação um ponto “agregador da comunidade”.

“Tenho agendada uma reportagem numa aldeia, Vila Seco, Vimioso, onde a arte de fazer cestos, que aqui chamam-se escrinhos, são feitos com palha, centeia e casca de silva, e antigamente estes cestos eram recipientes para guardar o pão. Diziam que a palha do centeio afugenta os insetos e vermes e ajudavam a conservar o pão. O meu desafio é este, dar a conhecer o que ainda existe, mas debato-me com a escassez de tempo, porque no jornal eu faço tudo e torna-se cansativo”, conta.

Hugo Anes encontra nas Jornadas Nacionais de Comunicações Socias, a realizar no dia 24, em Leiria, uma oportunidade para aprender com os colegas jornalistas, com os temas propostos e análises feitas, e poder “descansar” da missão que desenvolve em Trás-os-Montes.

Encontrar outros profissionais, refletir e aprender, ao mesmo tempo que tem oportunidade para “partilhar a experiência como jornalista, no interior do país”, leva-o “há muitos anos” a inscrever-se neste encontro anual.

O Secretariado Nacional das Comunicações Sociais promove as Jornadas Nacionais sobre o tema ‘Por uma gramática do encontro’, fomentando a escuta entre os participantes em ordem a um “desenho de um mapa conjunto para a comunicação da Igreja em Portugal”.

No convite dirigido a todos os que queiram participar, o presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais e a diretora do respetivo secretariado nacional afirmam que o objetivo é trabalhar num “caminho conjunto”, que tenha por ponto de partida a escuta recíproca.

Neste ano de 2026, as Jornadas Nacionais de Comunicação Social decorrem ao longo de um dia, a 24 de setembro, quinta-feira; no dia anterior, a Comissão Episcopal das Comunicações Sociais convida os diretores dos Secretariados Diocesanos para um jantar e uma reunião de trabalho, no Seminário de Leiria.

LS/PR

Comunicações Sociais: Jornadas Nacionais vão ser ocasião de escuta para «construir um caminho comum»

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