Nova escola abriu hoje o ano letivo com um apelo à formação, ao pensamento crítico e ao diálogo entre fé e cultura.

Angra do Heroísmo, Açores, 19 set 2026 (Ecclesia) – A Diocese de Angra deu hoje início ao primeiro ano letivo da recém-criada Escola Diocesana de Formação, um projeto que pretende reforçar a formação dos leigos e criar um espaço de reflexão, conhecimento e diálogo entre a fé, a cultura e a sociedade.
Na sessão de abertura, realizada no Hotel Palácio de Santa Catarina, na ilha Terceira, o bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues sublinhou as razões que estão na origem da iniciativa e a visão que deverá orientar o seu percurso, sobretudo no horizonte pastoral da Diocese, sob o lema “passar à outra margem”.
Para D. Armando Esteves Domingues, a expressão traduz uma Igreja chamada a não permanecer instalada, mas a “atravessar fronteiras”, reconhecer novos desafios e abrir caminhos através da formação, da cultura e do diálogo.
O bispo de Angra apresentou a criação da Escola Diocesana de Formação como resposta a uma necessidade identificada nos organismos de participação da Diocese: proporcionar ao Povo de Deus uma formação “mais profunda, continuada e adequada aos desafios do nosso tempo”.
Mas a proposta, sublinhou, não nasce apenas da necessidade de acompanhar as mudanças da sociedade. O desafio é formar pessoas capazes de viver e interpretar essas mudanças.
“Que tipo de pessoa queremos formar para o mundo que está a nascer?”, questionou D. Armando Esteves Domingues, perante uma realidade marcada pela inteligência artificial, pela transformação digital, pelas mudanças no mundo do trabalho, pela pluralidade de visões do mundo e por profundas transformações culturais e sociais.
É neste contexto que definiu a nova escola como um “laboratório de pensamento, de discernimento e de esperança”.
A ambição é que seja um lugar onde “a fé possa dialogar com a cultura” e a teologia com a ciência, mas também onde diferentes gerações, vocações e sensibilidades possam encontrar-se e aprender umas com as outras.
Para o bispo, uma das tarefas fundamentais da formação é precisamente capacitar para o discernimento: “escutar, dialogar, argumentar, discernir, decidir e assumir responsabilidades”.
O prelado diocesano recuperou a mudança de perspetiva introduzida pelo Concílio Vaticano II sobre o papel dos leigos, que deixaram de ser vistos apenas como aqueles que “ajudam” o clero para serem reconhecidos como “sujeitos da missão da Igreja”.
Daí a importância atribuída à formação, que o bispo considera “uma exigência” e não um luxo.
O objetivo não é formar “mini-padres”, mas “cristãos adultos”, capazes de pensar a própria fé, interpretar criticamente a realidade e assumir responsabilidades na família, na profissão, na cultura, na ciência, na educação e na sociedade.
“As Escolas podem oferecer instrumentos críticos e científicos. As instituições civis conhecem realidades sociais concretas. As autarquias estão próximas das comunidades e dos seus problemas. As instituições sociais conhecem a vulnerabilidade e a exclusão. A cultura e a arte revelam dimensões da pessoa que nenhum discurso pode substituir” prosseguiu explicativamente.
“A Igreja, quando é verdadeiramente sinodal, não tem medo deste diálogo. Pelo contrário: acredita que a verdade não se empobrece quando é procurada em conjunto. É neste sentido que a sinodalidade exige formação” disse ainda sublinhando que a Igreja “precisa hoje de leigos teologicamente competentes. Precisa de cristãos capazes de dialogar com a cultura contemporânea e de colocar a sua competência profissional ao serviço da missão”.
O projeto estrutura-se em três propostas: Curso Básico de Teologia, formação para os Ministérios Laicais e Curso Livre, permitindo diferentes formas de participação e percursos formativos.
A nova estrutura pretende ainda articular-se com as iniciativas de formação já existentes na diocese, nomeadamente o Instituto de Cultura Católica, os Secretariados Diocesanos, as Escolas de Ouvidoria e os Movimentos, contribuindo para uma cultura de formação permanente.
A escolha do Seminário Maior de Angra para acolher a Escola Diocesana acrescenta uma dimensão histórica ao projeto.
A sessão inaugural contou com uma lição de sapiência do professor Frederico Lourenço, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e tradutor da Bíblia, que dissertou sobre São Paulo, apóstolo e poeta.
A EDF parte com 130 alunos de diversas ilhas e permitira a frequência de 24 disciplinas da Filosofia, à Teologia, da Comunicação à Psicologia, da História aos documentos do Magistério, passando por disciplinas mais específicas sobre a Doutrina Social da Igreja, a Pastoral Catequética ou o Direito Canónico.
LFS
