Brasil: Bispos pedem aos novos governantes convergência contra a pobreza e a fome

«Pluralidade de ideias, própria da democracia, não deve impedir a busca de convergências em torno daquilo que é essencial» – CNBB

Foto: Lusa

Brasília, 27 out 2026 (Ecclesia) – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apelou aos representantes escolhidos nas recentes eleições gerais para superarem tensões e priorizarem a proteção dos mais pobres, numa mensagem divulgada esta segunda-feira.

“O Brasil continua diante de desafios que exigem responsabilidade compartilhada: a superação da pobreza e da fome, a redução das desigualdades, a promoção do trabalho digno, o acesso à saúde, à educação e à moradia, a proteção das famílias, a segurança pública, o cuidado com a Casa Comum e a defesa incondicional da vida e da dignidade humana, desde a conceção até seu fim natural”, defende a presidência do organismo episcopal, após a conclusão do escrutínio para a Presidência da República, governos estaduais e poder legislativo.

No documento intitulado ‘Mensagem aos eleitos e eleitas nas Eleições de 2026’, os responsáveis católicos indicam que “a pluralidade de ideias, própria da democracia, não deve impedir a busca de convergências em torno daquilo que é essencial para a vida e a dignidade do povo brasileiro”.

Perante uma sociedade marcada “profundas diferenças e por tensões que se intensificaram durante o período eleitoral”, o episcopado católico exorta os titulares de cargos públicos a fortalecerem a convivência democrática, “rejeitando a violência, a intolerância, a desinformação e toda a forma de discriminação”.

A CNBB refere que o resultado das urnas ultrapassa a mera “conquista política” e obriga a governar para todos os cidadãos, incluindo aqueles que votaram noutras opções, exigindo transparência, diálogo entre os poderes e a correta aplicação dos recursos públicos acima de interesses de “grupos” ou “partidos”.

“A nossa contribuição nasce do compromisso com o Evangelho de Jesus Cristo, especialmente com os pobres, os pequenos e os que sofrem”, sublinham os bispos, reafirmando que a disponibilidade da Igreja Católica para colaborar na justiça social “não se confunde com adesão partidária”.

A nota, que confia o futuro do país à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, é assinada pelo presidente da CNBB e arcebispo de Porto Alegre, cardeal Jaime Spengler, pelos vice-presidentes D. João Justino de Medeiros Silva (Goiânia) e D. Paulo Jackson Nóbrega de Sousa (Olinda e Recife), e pelo secretário-geral e bispo auxiliar de Brasília, D. Ricardo Hoepers.

OC

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