Responsáveis repudiam ataque que provocou nove mortos em igreja ortodoxa

Lisboa, 26 out 2026 (Ecclesia) – O patriarca greco-ortodoxo de Jerusalém, o cardeal Pierbattista Pizzaballa e organizações internacionais de diálogo inter-religioso repudiaram o atentado contra uma igreja na Jordânia, cujo balanço subiu para nove mortos.
“Se o objetivo desta ação é expulsar-nos da Terra Santa e obrigar-nos a fugir, o único resultado que vai alcançar será o de fortalecer o nosso vínculo com ela e aprofundar ainda mais as nossas raízes neste lugar”, declarou o patriarca greco-ortodoxo Teófilo III, citado hoje pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
Para o responsável ortodoxo, representado em território jordano por vigários patriarcais em Amã e Irbid, o ataque sangrento não abalará a determinação dos fiéis nem a unidade nacional, reforçando antes a união entre cristãos e muçulmanos sob a liderança da casa real hachemita.
“Por mais graves que sejam os acontecimentos que estão a ocorrer ao nosso redor e por mais difíceis que sejam as provações que somos chamados a enfrentar, nunca abandonaremos a nossa terra”, declarou Teófilo III, convicto de que a sociedade local permanecerá “imune” a qualquer ideologia “obscura e extremista”.
Já o patriarca latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, anunciou uma deslocação à Jordânia para apresentar condolências às famílias das nove vítimas mortais e apelou à oração conjunta de todas as Igrejas para enfrentar a atual “escuridão” de violência sem desistir.
Segundo a Fundação AIS, o atentado que provocou igualmente cerca de quatro dezenas de feridos ocorreu quando pelo menos três homens armados dispararam sobre cerca de 250 pessoas reunidas na igreja da localidade de Hmoud para o funeral de uma mulher falecida na véspera.
O sacerdote católico jordano Rif’at Bader explicou à organização pontifícia que o ataque a famílias em luto num país defensor da harmonia inter-religiosa equivale a “somar uma tragédia a outra, ferindo não só as famílias envolvidas, mas também a consciência da sociedade jordana no seu conjunto”.
A condenação do atentado de sexta-feira na Igreja Ortodoxa Grega de São Jorge, na província de Karak, motivou também tomadas de posição divulgadas hoje em Lisboa pelo Centro Internacional de Diálogo (KAICIID) e pela Plataforma Inter-religiosa para o Diálogo e a Cooperação no Mundo Árabe (IPDC).
“Os ataques contra estes espaços sagrados constituem uma ofensa à dignidade humana e ao direito fundamental de todas as pessoas a praticarem a sua religião ou crença livremente e sem medo”, sustenta a direção do KAICIID, numa nota enviada À Agência ECCLESIA.
Por sua vez, a plataforma IPDC — criada em 2018 com o apoio do centro sediado na capital portuguesa para reunir líderes muçulmanos e cristãos da região árabe — exortou os responsáveis religiosos, a comunicação social e a sociedade civil para que “assumam as suas responsabilidades na promoção da tolerância e do respeito mútuo e no combate a quaisquer tentativas de fomentar a divisão ou de ameaçar a paz social”.
OC
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