«Procuramos ser uma casa em diálogo» – Cónego Vítor Novais

Braga, 03 out 2021 (Ecclesia) – O Seminário Conciliar de São Pedro e São Paulo, da Arquidiocese de Braga, está a assinalar os 450 anos da sua fundação, vividos na missão de “formar o homem na sua integralidade” e, hoje, com a preocupação de que os “processos formativos sejam sinodais”, indica o reitor da instituição

“Um desafio que hoje enfrentamos é que a nossa formação seja integral, do homem todo e de todo o homem”, disse à Agência ECCLESIA o cónego Vítor Novais.

O reitor do Seminário Conciliar de São Pedro e São Paulo de Braga fala numa “casa em diálogo”, pela própria formação ministrada, dado que no conjunto de colaboradores têm leigos e pessoas consagradas, padres e casais, que ajudam a “discernir”.

No contexto do Sínodo que a Igreja Católica está a viver até 2023, por iniciativa do Papa Francisco, o cónego Vítor Novais assinala que o Seminário Conciliar procura que a sinodalidade seja “transversal a todo o processo formativo”.

“Se não é no seminário que experienciamos esta dimensão da sinodalidade, não será fácil chegarmos à vida paroquial e vivermos e compreendermos as potencialidades, as riquezas, que a sinodalidade coloca em cada processo, em cada projeto”, desenvolveu.

A Igreja Católica em Portugal está a viver desde domingo a Semana de Oração pelos Seminários 2021, e na sua mensagem, o presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, D. António Augusto Azevedo, escreve que a “renovação do rosto da Igreja”, que passará por ser “mais sinodal e menos clerical”, pode começar a ser preparada nos seminários.

O reitor do Seminário Conciliar de São Pedro e São Paulo sublinha que o candidato ao sacerdócio deve tomar consciência do seu papel na vida eclesial, na qual não é “o único, mas é um entre os membros da Igreja”.

O Seminário de São Pedro foi fundado por D. Frei Bartolomeu dos Mártires, canonizado em 2019.

No século XIX, a instituição mudou-se para o edifício do antigo Colégio de São Paulo, que pertencia aos Jesuítas, passando a ser Seminário Conciliar de São Pedro e São Paulo.

Foto: Agência ECCLESIA/LFS

Para o arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, estes 450 anos não devem mostrar uma estrutura que está ultrapassada, que “talvez não tenha o que dizer à Igreja”, mas deve apontar a um caminho de renovação, a partir do Sínodo.

O responsável destaca a importância da memória, porque “o seminário de Braga é dos mais antigos do mundo”, e começou a existir como “uma resposta para concretizar a reforma daquele tempo”.

D. Jorge Ortiga contextualiza que São Bartolomeu dos Mártires sabia a importância de ter “padres cultos” – encarregou os padres Agostinianos da formação filosófica e a parte teológica foi confiada aos Jesuítas -, o que veio a “trazer um suporte para que pudesse enfrentar os grandes desafios de uma Igreja em crise”.

O historiador Rui Ferreira recordou o edifício do seminário foi instalado no Campo da Vinha, a Praça Conde de Agrolongo, por D. Frei Bartolomeu dos Mártires, que participou na terceira fase (1562/1563) do Concílio de Trento, e “imediatamente tenta que os decretos tridentinos sejam assumidos pela Igreja diocesana”, convocando também um sínodo (1564) e um concílio para os bispos desta província eclesiástica.

A história do Seminário Conciliar de São Pedro e São Paulo esteve em destaque na emissão desta quarta-feira do Programa ECCLESIA, na RTP2.

PR/CB/OC

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