Comunicado deixa pedido de perdão às vítimas e suas famílias

Braga, 01 out 2022 (Ecclesia) – A Arquidiocese de Braga informou hoje, em comunicado, que impôs “medidas disciplinares” ao cónego Manuel Fernando Sousa e Silva, após acusações de abusos contra o sacerdote em Joane.

A nota, enviada à Agência ECCLESIA, precisa que as medidas, implementadas em julho de 2022, implicam “a necessidade de se abster de exercer publicamente o seu ministério sacerdotal e, de modo particular, a celebração pública dos Sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, devendo recolher-se num clima de oração, reflexão e penitência”.

“Reconhecemos que não conseguimos ser mais céleres no tratamento do caso e mais eficazes no acompanhamento das vítimas, o que lamentamos”, acrescenta o texto.

A arquidiocese minhota assume “dor e sofrimento” perante as notícias que apresentaram, nos últimos dias, “o relato de homens e mulheres vítimas de abusos por parte do cónego Manuel Fernando Sousa e Silva”.

A Arquidiocese de Braga dirige-se, em primeiro lugar, a todas as vítimas, feridas física, emocional e espiritualmente pelos abusos sofridos, a quem com profunda tristeza e humildade pede perdão”.

A nota deixa ainda uma palavra para suas famílias das vítimas, os agentes pastorais da Paróquia de Joane e a toda a comunidade cristã, “pedindo perdão pelo sofrimento causado por estes acontecimentos”.

“A comunidade paroquial tem sido sujeita a uma forte exposição mediática que reaviva memórias dolorosas, mas que contribui para trazer à luz factos que nunca deveriam ter acontecido. Reconhecemos que, neste caso, a Igreja falhou no seu dever de proteger os mais frágeis e vulneráveis”, pode ler-se.

O comunicado aponta os factos apurados e os passos seguidos neste processo desde que, a 21 de novembro de 2019, chegou à Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis da Arquidiocese de Braga (CPMAV) uma denúncia por parte de uma vítima, relatando ter sofrido abuso sexual por parte do referido sacerdote; dois anos mais tarde, chegou à Comissão mais uma denúncia.

“Tendo a CPMAV enviado os relatórios relativos às duas denúncias à autoridade eclesiástica competente, o então arcebispo de Braga criou, em janeiro de 2022, uma Comissão de Investigação Prévia, em conformidade com as normativas eclesiásticas à data em vigor. Em maio de 2022, o atual arcebispo de Braga enviou todos os elementos recolhidos para o Dicastério para a Doutrina da Fé”, da Santa Sé, precisa a nota.

As decisões sobre o caso foram tomadas “em sintonia com o mesmo dicastério”.

A CPMAV vai disponibilizar “um serviço de escuta destinado a todos quantos desejem partilhar as suas dolorosas experiências”, disponível na Paróquia de Joane de forma presencial, sendo ainda possível recorrer ao mesmo por via telefónica ou por correio eletrónico.

A comissão pode ser contactada por email (comissao.menores@arquidiocese-braga.pt) ou telefone (913 596 668).

“Confiamos que a nossa Igreja saberá abrir-se a um novo futuro, marcado pelo reconhecimento humilde e transparente dos seus erros e pecados, pelo acolhimento das vítimas e pela prioridade de criação de uma cultura de prevenção e cuidado”, conclui a Arquidiocese de Braga.

OC

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