Bienal de Veneza: Relação com o transcendente e vida quotidiana são dois eixos «totalmente integrados» em Hildegarda de Bingen – Isabel Alçada Cardoso

Responsável do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura analisa Pavilhão da Santa Sé na edição deste ano, que tem como tema «O ouvido é o olho da alma»

Lisboa, 05 mai 2026 (Ecclesia) – A diretora do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) comentou a participação da Santa Sé na Bienal de Veneza, defendendo que Santa Hildegarda de Bingen é um exemplo das palavras do Papa que servem como bússola do projeto.

“De alguma forma, Hildegarda de Bingen, na sua vida, tem esta consciência de que a arte pode participar na cura da alma e na cura física. E, portanto, é isso que a exposição pretende apresentar”, afirmou Isabel Alçada Cardoso, em entrevista ao Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2.

O Pavilhão da Santa Sé para a 61.ª Bienal de Arte de Veneza, que tem como tema ‘O ouvido é o olho da alma’, é um convite ao abrandamento e à escuta contemplativa, inspirando-se no legado de Santa Hildegarda de Bingen (1098-1179).

“Regressar ao serviço do ritmo da vida, da harmonia da criação, e curar as suas feridas” são as palavras de Leão XIV que norteiam o projeto presente na 61.ª Mostra Internacional de Arte, que decorrerá de 9 de maio a 22 de novembro de 2026.

Isabel Alçada Cardoso lembra que a santa alemã, além de filósofa, de ter conhecimentos na área da biologia e da medicina, foi também uma poetisa.

“Hoje em dia os seus escritos estão traduzidos em muitas línguas, como também as expressões musicais que ela criou e pensou, etc. Portanto, para Hildegarda de Bingen, o som é um modo do conhecimento, e por isso a exposição também utiliza isto”, referiu.

Hildegarda de Bingen, doutora da Igreja pelo Papa Bento XVI, foi freira, mas também compositora e cantora.

O pavilhão do Vaticano estende-se por dois locais de Veneza – o Jardim Místico dos Carmelitas Descalços (Cannaregio) e o Complexo de Santa Maria Auxiliadora (Castello) – e tem a participação de 24 artistas, de 12 nacionalidades, incluindo as portuguesas Carminho e Ilda David.

Isabel Alçada Cardoso salienta que a Igreja, ao longo do tempo, sempre teve uma relação com a cultura, indicando que hoje há muitas linguagens disponíveis para esta interagir com o mundo.

A Igreja “olha para estas formas como uma possibilidade de evangelização, como uma possibilidade de olhar a verdade” que há nessas formas e “que, de alguma forma, podem servir para comunicar […] a mensagem de Cristo”, disse.

Em Portugal, o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura participa no Indie Lisboa, Festival de Cinema Independente, que se realiza entre 30 de abril a 10 de maio, através da atribuição do Prémio Árvore da Vida.

Isabel Maria Alçada Cardoso, Júlio Martin, professor e ator, e Maria Pacheco de Amorim, professora e investigadora, ambos membros do Grupo de Trabalho do SNPC, são os jurados da edição deste ano.

“Tentamos olhar, de alguma forma, estas novas produções de realizadores, quer nas curtas-metragens, quer nas longas-metragens, […] para estabelecer este diálogo com o mundo da cultura alargado”, explicou.

HM/LJ/OC

Bienal/Veneza: Pavilhão da Santa Sé tem participação das portuguesas Carminho e Ilda David

 

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