Bienal/Veneza: Pavilhão da Santa Sé tem participação das portuguesas Carminho e Ilda David

Proposta do Dicastério para a Cultura e a Educação, com o tema «O ouvido é o olho da alma», conta ainda com Patti Smith e Brian Eno

Foto: Dicastero per la Cultura e l’Educazione

Cidade do Vaticano, 14 abr 2026 (Ecclesia) – O Pavilhão da Santa Sé para a 61.ª Bienal de Arte de Veneza integra as artistas portuguesas Carminho e Ilda David, numa proposta que tem como tema ‘O ouvido é o olho da alma’, informou hoje o Vaticano.

O cardeal José Tolentino comissário do pavilhão e prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação (Santa Sé), destaca a proposta como um convite ao abrandamento e à escuta contemplativa, inspirada no legado de Santa Hildegarda de Bingen (1098-1179).

O projeto estende-se por dois locais de Veneza: o Jardim Místico dos Carmelitas Descalços (Cannaregio) e o Complexo de Santa Maria Auxiliadora (Castello).

A fadista Carminho surge no elenco de 20 artistas que apresentam novas obras sonoras no Jardim Místico, ao lado de nomes como Patti Smith, Brian Eno e Jim Jarmusch.

Neste espaço monástico do século XVII, os visitantes são convidados a utilizar auscultadores para aceder a uma “oração sonora” que dialoga com as visões e cânticos de Hildegarda de Bingen.

Foto: Dicastero per la Cultura e l’Educazione

Em Castello, a artista plástica Ilda David participa num ‘scriptorium contemporâneo’ através da apresentação de livros de artista, integrados num arquivo vivo que reúne textos e pesquisas sobre a santa proclamada doutora da Igreja em 2012.

O pavilhão, com curadoria de Hans Ulrich Obrist e Ben Vickers, conta também com a obra final do realizador Alexander Kluge, falecido em março de 2026, que assina uma instalação monumental de doze estações.

A proposta da Santa Sé assume-se como uma reação à rapidez da cultura digital, valorizando o silêncio e o som como chaves de leitura da experiência humana.

“A lógica do algoritmo tende a repetir o que ‘funciona’, mas a arte abre caminho para o que é possível. Nem tudo tem de ser imediato ou previsível”, refere uma nota do Dicastério, evocando o pensamento do Papa Leão XIV.

O Complexo de Santa Maria Auxiliadora acolhe ainda um projeto de arquitetura monástica do Tatiana Bilbao Estudio, dando continuidade ao percurso iniciado na Bienal de Arquitetura de 2025.

A conferência de imprensa oficial de apresentação do projeto vai ter lugar a 27 de abril, na sala de imprensa da Santa Sé.

OC

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