D. Georg Gaenswein refere que morte do Papa emérito aconteceu num clima de oração

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 04 jan 2023 (Ecclesia) – O arcebispo alemão Georg Gaenswein, secretário particular de Bento XVI, relatou os últimos momentos de vida do Papa emérito, falecido aos 95 anos, a 31 de dezembro de 2022, que aconteceram num clima de oração.

“Normalmente rezávamos as Laudes diante da sua cama e também naquela manhã eu disse ao Santo Padre: ‘Façamos como ontem, eu rezo em voz alta e o senhor une-se em espírito’. Na verdade, já não lhe era possível rezar em voz alta, estava realmente sem fôlego. Ele só abriu um pouco os olhos – entendeu a pergunta – e acenou com a cabeça, que sim”, referiu o prefeito da Casa Pontifícia, em entrevista à Rádio Vaticano, emitida hoje.

Por volta das 08h00 do último dia 31 de dezembro, a respiração tornou-se ofegante e os dois médicos que acompanhavam o Papa emérito anteciparam que seria o momento da morte.

“Ele estava lúcido, nesse momento. Eu já tinha preparado as orações que acompanham o moribundo anteriormente, e rezamos durante cerca de 15 minutos, todos juntos, enquanto Bento XVI respirava cada vez mais forte, e cada vez mais era evidente que não conseguia respirar bem”, explicou D. Georg Gaenswein.

O secretário particular chamou as colaboradoras do Papa emérito, para acompanhar este momento de oração, na “agonia” de Bento XVI, que deu o seu último suspiro às 09h34.

“Morreu na oitava do Natal, o seu tempo litúrgico favorito, no dia do seu predecessor São Silvestre, Papa sob o imperador Constantino. Tinha sido eleito na data (19 de abril,ndr) em que é lembrado um papa alemão, São Leão IX, da Alsácia, e morreu no dia de um Papa romano”, assinalou o secretário particular, que acompanhava Joseph Ratzinger desde que este era cardeal.

O Papa Francisco foi “o primeiro a saber” da morte e foi visitar imediatamente o mosteiro ‘Mater Ecclesiae’, onde o seu antecessor vivia desde que renunciou ao pontificado, em 2013, rezando junto ao corpo de Bento XVI e dando a sua bênção.

Para D. Georg Gaenswein, a força do falecido Papa estava no seu lema episcopal, “colaborador da verdade”, vivendo a fé que proclamava.

“Ele sempre dizia: ‘A fé deve ser uma fé simples, não simplista, mas simples. Porque todas as grandes teorias, todas as grandes teologias são baseadas no fundamento da fé’”, acrescentou.

O responsável soube antecipadamente da intenção de renunciar, tendo Bento XVI deixado clara que lhe estava a “comunicar” uma decisão “rezada, sofrida, tomada ‘coram Deo’ (diante de Deus”.

Para o arcebispo alemão, os que difundem “teorias” sobre as verdadeiras intenções ou a decisão da renúncia “afrontam” o próprio Papa, que se viria a confessar “surpreendido” pela sua própria longevidade, como emérito.

OC

Bento XVI: «Senhor, eu te amo!» foram últimas palavras do Papa emérito (Vaticano)

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