«O sacerdócio é dom. Não é fruto de mérito, nem conquista pessoal, mas dom gratuito» – D. Fernando Paiva

Beja, 01 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Beja refletiu sobre “o dom do sacerdócio”, e de “alegria, comunhão e missão” com os padres da diocese, na Missa Crismal, celebração de renovação das promessas e bênção dos santos óleos, que presidiu, na Sé.
“O sacerdócio é dom. Não é fruto de mérito, nem conquista pessoal, mas dom gratuito, que nos ultrapassa e nos configura, pela força do Espírito Santo, a Cristo Cabeça, Pastor e Esposo da Igreja. Esta é a nossa identidade e define-nos não apenas nas ações, mas no ser, no mais profundo do nosso ser”, disse D. Fernando Paiva, esta quarta-feira, 1 de abril, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.
Na Missa Crismal, de renovação das promessas sacerdotais, que na Diocese de Beja é celebrada na véspera de Quinta-feira Santa, o bispo falou aos seus padres “de alegria, de comunhão e de missão”.
“Alegrai-vos pelo dom recebido pela imposição das mãos, pela missão que vos foi confiada. Caríssimos fiéis, alegrai-vos pelo dom do sacerdócio ministerial. Demos graças pelos nossos sacerdotes, pelo seu ministério”, pediu D. Fernando Paiva, tendo salientado que a leitura da Profecia de Isaías falava do “óleo da alegria”.
O bispo de Beja recordou que o Papa Francisco afirmou que “a alegria do sacerdote é uma alegria que tem o seu ninho no coração do Senhor”, na Missa Crismal, em 2014.
Sobre a ‘comunhão’, o responsável diocesano explicou que “não é uma realidade abstrata, mas concreta”, e vivida em quatro dimensões fundamentais: “a comunhão com Deus, com o Bispo, com os irmãos sacerdotes e com o Povo de Deus”.
“O sacerdote é, por vocação, um homem de comunhão e um construtor de comunhão, ou melhor, um instrumento de Deus ao serviço da comunhão eclesial”, acrescentou, e citou o Papa São João Paulo II, em 1995: “O sacerdote é chamado a edificar a Igreja como comunhão”.
Ainda sobre a ‘comunhão com o Povo de Deus’, e de modo particular os párocos, realçou que cada padre é “chamado a ser artífice de comunhão”, exerce essa missão “através do diálogo, da escuta atenta, do discernimento espiritual e da orientação pastoral”, ajudando cada fiel a encontrar “o seu lugar no Corpo de Cristo”.
“Compete-lhe promover a integração dos fiéis na comunhão eclesial, não apenas ao nível da paróquia ou dos diversos movimentos, mas numa abertura efetiva à Igreja inteira, como mistério de comunhão. Por isso, deve evitar toda a forma de fechamento, “guetização” ou fragmentação, favorecendo antes uma participação viva, orgânica e missionária na vida da Igreja, no seu sentido mais amplo.”
Quanto à ‘missão’, D. Fernando Paiva explicou ao clero que Jesus chama-os e associa-os à sua, nas “circunstâncias concretas das vidas e do tempo” que vivem, e salientou que o processo sinodal em curso orienta-os “para uma Igreja cada vez mais consciente da sua natureza missionária”.
Na homilia da Missa Crismal, o bispo de Beja destacou que é um sinal “muito expressivo” de comunhão eclesial, que “une todas as paróquias, comunidades, movimentos e ministérios”, a presença e participação do presbitério nesta celebração, onde acompanharam-no também “na bênção do Óleo dos Catecúmenos e do Óleo dos Enfermos e na consagração do óleo do Santo Crisma”, que vão estar presentes “nas alegrias e nas dores do Povo de Deus”.
A Igreja Católica iniciou, com o Domingo de Ramos, a Semana Santa, momento central do ano litúrgico, que recorda os dias da prisão, julgamento e execução de Jesus, culminando com a Páscoa, a principal celebração do calendário católico, assinalando a ressurreição de Cristo.
CB/OC
Beja: Bispo apela à contemplação da dor humana e do «silêncio de Deus» na entrada da Semana Santa
